Encargos financeiros castigam setor da caça em Portugal

O setor da caça está a atravessar momentos difíceis, com cada vez menos caçadores e animais para caçar.

Quem o diz é Artur Cordeiro, presidente da Federação das Associações de Caçadores da 1ª Região Cinegética, que aponta os encargos financeiros ligados à atividade como principais responsáveis:

“Acho que se tem feito muito pouco em prol da caça que é cada vez mais cara e, como tal, cada vez há menos caça e menos caçadores.

As taxas aumentam todos os anos, o que não faz muito sentido.

Hoje em dia as zonas de caça, especialmente as associativas, não têm meios para fazer o que têm a fazer, que é promover o fomento da caça. No entanto, o dinheiro que têm serve praticamente para pagar taxas. Enquanto as zonas de caça associativas não forem isentas, à semelhança do que acontece com as zonas de caça municipais, da taxa anual, pouco podem fazer.

Reduziu-se muita legislação, mas na prática o resultado não é nenhum porque isso depois é vertido para portarias que só trazem encargos.

Estamos, de facto, em momentos difíceis, e enquanto não compreenderem o que é a caça e o que ela representa, especialmente para o mundo rural, isto vai de mal a pior.”

Também as doenças e os incêndios têm feito com que o número de animais diminua:

“Especialmente no coelho, que era a espécie rainha da caça, pelo menos aqui na nossa zona, e a doença hemorrágica veio acabar por dizimar este animal. Tem-se feito alguma coisa, mas só daqui a uns anos é que aquilo que as entidades, nomeadamente ligadas às universidades, estão a fazer, poderão vir, eventualmente, a dar algum resultado.

Também o ano passado houve uma ameaça sobre o javali, a triquinelose, mas acho que foi mais o foguetório do que outra coisa porque, felizmente, durante o ano foram feitas centenas de análises, e na região não foi mais detetada a doença.

Outro dos desastres são os incêndios, que se decorrerem em uma zona de caça, durante anos e anos as espécies desaparecem completamente. “

Até ao final do mês de setembro decorre o período de caça de espécies migratórias.

No entanto, devido à diminuição de animais, estão a ser aplicadas restrições na caça à rola-brava e codorniz:

“Acabou por se reduzir o número de espécies a abater, com limitação do período de caça até às 13h e, possivelmente, no próximo ano, eu julgo que poderá haver até uma redução maior se estas medidas não resultarem.

Os caçadores não entendem muito bem isto, porque são espécies migratórias, não são autóctones, mas quando não há ou quando há pouco, temos que nos conter e eles acabarão por compreender.”

A caça geral, da qual fazem parte, entre outras, o coelho-bravo, a lebre e a perdiz, começa no próximo mês de outubro.

Escrito por ONDA LIVRE