Confinamento prejudicou indicadores da diabetes em todo o país e no distrito de Bragança os dados não são animadores

Os últimos dois anos de pandemia fizeram piorar, no geral, os indicadores da diabetes nos doentes portadores desta doença em todo o país.

O confinamento levou a que se adotassem hábitos pouco recomendados para quem tem diabetes, privando também estas pessoas de práticas aconselhadas, justifica Raúl Sousa, Médico Coordenador da Unidade Coordenadora Funcional da Diabetes da Unidade Local de Saúde do Nordeste:

“Estamos com indicadores piores do que tínhamos há dois anos.

É um problema nacional porque a pandemia fez parar tudo e ao pararmos há doenças, como é o caso da diabetes crónica, que não para e muitos desses doentes apresentaram descompensações ao longo destes dois anos.

Temos vindo a notar que estão com valores de glicémia mais alterados, hábitos alimentares errados, estão mais pesados, também porque estiveram mais parados, uma vez que não se podia sair, caminhar ou correr, as pessoas isolaram-se em casa e comiam.

Isto veio, de certa forma, alterar um pouco aquilo que é a diabetes neste momento.”

Neste momento, no distrito de Bragança há 14 232 pessoas com diabetes, o que dá uma prevalência de 10,8%.

A nível nacional a prevalência é de 13,6% das quais 5,9% ainda não estão diagnosticadas como diabéticas, mas já o são.

Contas feitas, no distrito a prevalência está pior do que no total nacional, o que torna urgente adotar medidas para contrariar esta tendência:

“Se a nível nacional já há certeza de que há 7,7%, neste momento, os registos dão-nos conta de que há 10,3%, o que significa que estamos pior do está o país de uma maneira geral.

Isto obriga a que tenhamos de fazer alguma coisa para retroceder isto porque a nível da alimentação até temos a dieta mediterrânica, muitos dos nossos utentes fazem mais exercício físico do que nas grandes cidades e temos valores que não estão de acordo com aquilo que precisaríamos que estivessem.

É aqui que temos de atuar e rapidamente.”

Para isso, a comissão distrital vai trabalhar com as coordenações concelhias para atuar em função das necessidades dos doentes de cada concelho:

“Já foi lançado o repto, que já existiu, mas com a saída de alguns médicos que se reformaram, algumas das coordenações concelhias ficaram sem elementos.

É muito difícil para nós, comissão distrital, trabalhar sem termos um interlocutor em cada um dos centros de saúde porque é ele que nos vai dizer quais são, naquele momento e para aquele centro de saúde, as dificuldades que sentem os utentes, para que possamos depois, em termos de unidade coordenadora funcional e equipa distrital, poder ir lá fazer com esses colegas uma reunião para debatermos e trocarmos impressões, de modo a que os indicadores possam melhorar.

Será ao longo de todo este ano. O plano de atividades é feito para dois anos, habitualmente, já vamos começar a trabalhar no plano para daqui a dois anos, que vai de acordo com o plano nacional, e depois iremos começar a trabalhar.”

Declarações à margem das V Jornadas da Diabetes do Nordeste Transmontano, que voltaram a acontecer em Macedo de Cavaleiros depois de interrompidas nos últimos dois anos devido à pandemia.

O encontro é destinado a profissionais de saúde do distrito e de fora dele, com o objetivo de conferir formação e atualizar conhecimentos na área da diabetes. Uma partilha que já fazia falta:

“250 inscrições em tão pouco tempo significa que os profissionais de saúde dão algum valor e importância às jornadas e pretendem que elas continuem.

Permitiu dar conhecimento às pessoas daquilo que é a macroangiopatia e o AVC.

Temos muitos internos que estão no distrito a fazer a sua especialidade e têm um conjunto de informações que nos podem fornecer. Esta troca de experiências entre os mais velhos e os mais novos é sempre muito boa.

Nos últimos dois anos apareceram fármacos novos para o tratamento da diabetes, tivemos que alterar o paradigma do tratamento, que agora é diferente do que era, e achámos que passados dois anos tínhamos todos necessidade de atualizar esses conhecimentos.”

As jornadas normalmente decorriam durante dois dias, mas neste ano, excecionalmente, foi só um.

As próximas deverão ter como tema principal as doenças cardiovasculares.

Escrito por ONDA LIVRE

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