O Orçamento do Estado apresentado pelo Governo socialista para 2023 é “insensível” e contribui para o empobrecimento da população. Quem o diz é Paulo Cunha, vice-presidente do Partido Social-Democrata, que esteve reunido em Macedo de Cavaleiros com os militantes do distrito para apresentar as propostas do partido, que irão ser discutidas no debate na especialidade:
“É insensível à circunstância social do país e continua uma caminhada perigosa de empobrecimento de Portugal. Se olharmos para o que são as expectativas de aumento dos rendimentos no próximo ano, comparado com o impacto da inflação, todos os portugueses perdem rendimento.
Por outro lado, faltam medidas estruturais para o crescimento da economia. Vemos um país cada vez mais atrofiado, mergulhado de recessão em recessão, crise em crise, subsídio em subsídio e apoio em apoio, mas sem capacidade para respirar, pôr a economia a produzir, aumentar o PIB e o rendimento das empresas e famílias.
Essa falta de dinâmica estrutural, que leve o país para um caminho de crescimento, é um aspeto que merece a censura do PSD.”
O PSD tem mais de 2000 propostas orçamentais para apresentar ao Governo.
Paulo Cunha garante que algumas são específicas para o interior, com destaque para o alojamento estudantil para jovens destas zonas do país:
“Há propostas vocacionadas para a questão da coesão e o dossier das portagens é um exemplo, que tem propostas para as reduções das mesmas, o que é um sinal de preocupação com o fenómeno da interioridade, principalmente daquelas chamadas ex-scut, cujo valor é necessário reduzir.
Há uma medida que, muitas vezes, não é associada à proteção de territórios como este que é a questão do alojamento estudantil.
Fala-se muito na capacidade de criar condições para que os jovens possam ter acesso aos cursos em função da sua vocação, mas se um jovem de Macedo de Cavaleiros, por exemplo, conseguir média para entrar na Faculdade de Economia do Porto, provavelmente não a vai frequentar porque não tem alojamento. E se tiver, muitas vezes os pais não conseguem pagá-lo. Isso acontece muito e temos propostas concretas nesse sentido.”
O presidente da distrital do PSD de Bragança, Hernâni Dias, concorda que o orçamento não corresponde às necessidades atuais da população.
No caso do distrito de Bragança, onde há vários idosos a receber pensões baixas, essa é uma das principais preocupações que o dirigente diz não estar prevista da melhor forma no orçamento proposto:
“Acompanhamos isso todos os dias, os nossos idosos são os que têm pensões mais baixas, as chamadas pensões agrícolas, o cálculo como vai ser feito será de forma incorreta pois ainda os vais prejudicar mais. Eu diria que, tendencialmente ao longo do tempo, continuarão sempre a perder.
Isso é algo contra o qual temos que lutar para que não aconteça.”
Hernâni Dias lembra que no que toca à saúde é urgente repensar as medidas a ser tomadas para fixar médicos nas zonas do interior. Só na ULS do Nordeste, entre este e o próximo ano, aponta que serão 30 os profissionais a atingir a idade da reforma:
“Acho que na área da saúde, o Governo deveria pensar em medidas específicas para os territórios do interior, os periféricos.
Isso é algo que tem de ser devidamente estudado para que consigamos eliminar ou debelar, pelo menos, os problemas que temos sentido aos longo do tempo, que se traduzem, de forma genérica, na falta de profissionais de saúde mas, particularmente, de médicos
É necessário que consigamos atrai-los para o território e fixá-los, dando também assim o seu contributo para o processo de desenvolvimento.
Só este ano, na ULS do Nordeste, haverá 22 médicos de medicina geral e familiar que atingem a idade da reforma, no próximo serão mais oito, e isso mostra que se não houver aqui uma inversão desta tendência, ficaremos numa situação absolutamente caótica.
Hoje temos cerca de seis mil pessoas sem médico de família e se continuarmos a avançar neste ritmo, ficaremos ainda muito pior.”
Estes encontros da Direção Nacional do PSD, intitulados “Construir a Iniciativa”, estão a percorrer o país até 16 de novembro.
Escrito por ONDA LIVRE



