Os docentes e restantes profissionais da educação iniciaram hoje uma greve de três dias.
Reivindicam melhores condições laborais e salariais, refere Joaquim Queiroz, delegado do sindicato S.T.O.P. no distrito de Bragança:
“Começando até pelos assistentes operacionais, nesta escola estão neste momento entre oito a dez de baixa médica, o que vai complicar muito a vida de quem está aqui, pois tem de fazer o trabalho que lhe compete mais o trabalho dos colegas.
Também reivindicam, e muito bem, um aumento salarial e a entrada de mais colaboradores.
No caso dos professores, para além do funil que foi criado com o 5º e 7º escalões, na perspetiva de que as quotas impedem que toda a gente que tem condições e reúna os requisitos possa avançar, também a parte salarial é importante.
Temos também o problema da aposentação que vai acontecendo com os nossos colegas e que não é cativante para colegas mais novos. Há um grave problema que é a nova proposta para mobilidade por doença, que tem afetado muitos colegas, a segurança que é cada vez menor nas escolas e também os alunos que cada vez menos correspondem àquilo que devem ser as exigências de uma escola pública de qualidade.”
Em dezembro os professores já tinham iniciado uma greve por tempo indeterminado. Joaquim Queiroz assegura que, desde então, ainda nenhuma das reivindicações foi atendida:
“O Ministro não quer atender às nossas reivindicações que são justas e cada vez mais urgentes. Portanto, ou muda de política ou o Governo muda de Ministro.”
Beatriz Gomes é professora no Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros mas mora em Bragança.
Tem uma doença oncológica que a deixa com 60% de incapacidade.
Não devida dar mais de três aulas por dia, no entanto, foi-lhe atribuído um horário completo:
“Tenho várias declarações médicas que dizem que não devia dar mais de três aulas por dia e, no entanto, estou com horário completo.
Fui prejudicada no concurso de mobilidade por doença porque não atenderam à minha doença nem ao facto de eu ter um atestado de incapacidade de 60%. A minha revolta é essa.
Estou aqui também em nome dos que já morreram, que foram quatro. Não quer dizer que tenham morrido porque não obtiveram a mobilidade, mas em termos de desgaste físico e psicológico contribuiu para que a doença se agravasse.
Tivemos nesta escola um professor que morreu há cerca de três semanas. Vinha todos os dias para Macedo, fazia três vez por semana hemodiálise em Bragança e começou a descair, a piorar, ficou cego e teve vários problemas de saúde.”
Júlio Nicolau é responsável pela portaria da escola sede do agrupamento de Macedo de Cavaleiros.
Em nome dos assistentes operacionais, refere o que os move a aderir à greve:
“Pedimos melhores condições, aumento dos salários e um pouco mais de respeito dos alunos para connosco.
Há muitos que não nos respeitam a nós nem aos professores. Os pais deveriam dar-lhes mais educação em casa. Nós ajudamos mas não nos compete dar-lha.
A nível dos assistentes operacionais, em Macedo a adesão é garantidamente de 90%.”
No Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros, embora as escolas não tenham fechado, houve blocos que nem chegaram a abrir e apenas os alunos de 3º e 4º anos estão a ter aulas. Os restantes foram encaminhados para casa.
Interrupções que se forem recorrentes criarão atrasos na aprendizagem dos alunos, considera o diretor do agrupamento macedense, Paulo Dias:
“Ao nível do funcionamento normal da escola cria atrasos nos cursos profissionais, nos quais as aulas têm de ser dadas na totalidade, independentemente dos professores faltarem ou não.
Há atrasos também no cumprimento das planificações.
Estamos em janeiro, a situação ainda não é muito crítica, mas vamos ver o que vai acontecer até ao final do período, porque se estas ações continuarem por tempo indeterminado, como é referido pelo sindicato, aí sim, irá ter um impacto maior, nomeadamente nos anos em que há exames nacionais e avaliação externa. Se os professores não conseguirem cumprir, os alunos saem com prejuízo.”
Uma greve foi convocada pelo sindicato S.T.O.P. e só deve terminar na sexta-feira.
Escrito por ONDA LIVRE

