Noite dos Bombos de Mirandela comemora amanhã 60 anos e promete ser das mais concorridas de sempre

Contagem decrescente para a noite mais longa do ano para os mirandelenses.

A festa de Mirandela está a chegar ao fim-de-semana final e esta sexta-feira esperam-se milhares de pessoas nas ruas para assistir à marcha luminosa e pela madrugada à famosa noite dos bombos, com cerca de duas mil pessoas a tocar bombo pelas principais ruas da cidade e apinhadas de gente numa folia que contagia não deixando ninguém indiferente.

Este ano, esta tradição original, assinala 60 anos e promete ser das mais concorridas de sempre.

Um dia de pura diversão e de convívio com os que moram na cidade e aqueles que estão fora, mas que fazem questão de marcar o ponto:

“Para mim a noite de Mirandela é a dos bombos, com a marcha luminosa e a festa. Não há dúvida nenhuma de que os bombos são dos números principais.”

Tudo começou em 1963, há 60 anos, como conta Rui Barreira, um dos mentores desta tradição:

“Isto começou com uma simples brincadeira. Estavamos todos no Café Paulino à espera que os bombos chegassem e às 2h houve um grupo que se deslocou, atravessou a ponte velha e encontramos o carro que transportava os bombos, que era de Mondim de Basto.

Seriam umas 3h da manhã, batemos à porta e o homem não nos emprestou os bombos.

Estariamos, seguramente, umas 20/30 pessoas no máximo.

Certo é que apareceu um inidivíduo com uma motorizada, que me emprestou, para ir buscar uma garrafa de whisky e com dois copos o homem acabou por nos emprestar os bombos. Estivemos a ensaiar e partimos para a volta à vila.”

E assim foi durante alguns anos, mas a enorme adesão acabou por levar a uma nova estratégia: alugar os bombos. Também esta alteração acabou por não surtir o efeito desejado e a alternativa passou a ser comprar os bombos, levando a que atualmente sejam mais de duas mil as pessoas a integrarem o desfile

No entanto, devido às proporções que atingiu o evento, é praticamente impossível controlar, de uma forma mais ou menos organizada, os muitos grupos que aparecem. O maestro dos bombos, Mário Esteves, admite essa dificuldade acrescida:

“Desde que entrei foi assim.

Tinha jeito e eles precisavam de que alguém os comendasse.”

Para o juiz da confraria de Nossa Senhora do Amparo, Sílvio Santos, não restam dúvidas que esta tradição é uma imagem de marca que seduz milhares de pessoas

“A noite dos bombos é a noite dos bombos.

Toda a gente sabe as milhares de pessoas que vêm.

É fundamental e nunca negámos isso. Os bombos de Mirandela estão imortalizados.”

Pouco depois da meia-noite, os “tocadores” concentram-se no mercado municipal. Têm à sua espera, centenas de litros de sangria, vinho, cerveja, potes de rancho, sardinhas, alheiras e outros produtos.

Depois das duas da manhã, e já com milhares nas ruas, para assistir ao desfile, percorrem a cidade, durante horas. Aos primeiros raios de sol, os mais resistentes ainda fazem barulho.

São esperadas milhares de pessoas nas ruas para ver os mais de dois mil tocadores improvisados de bombos.

INFORMAÇÃO CIR (Terra Quente FM)