Os apoios do Governo não abrangem as necessidades que os municípios de Macedo de Cavaleiros, Vila Flor e Vinhais têm para fazer face aos estragos causados pelo mau tempo entre os dias 27 maio e 12 de junho.
Os prejuízos agrícolas verificados nestes concelhos afetaram vários hectares e não foram contemplados nos apoios que constam dos despachos publicados em Diário da República a 19 de julho e 21 de agosto, que se destinam a tratamentos fitossanitários e ao restabelecimento do potencial produtivo, respetivamente.
No município de Vila Flor os estragos atingiram cerca de 200 hectares agrícolas, compostos por árvores de fruta, vinha e amendoal, assim como caminhos que dão acesso aos terrenos.
A Câmara Municipal interveio financeiramente, o que permitiu recuperar algum do potencial produtivo.
No entanto, o autarca de Vila Flor, Pedro Lima, diz que um investimento desta ordem não é comportável e pede ajudas ao Governo:
“O Município agiu de uma forma solitária. Foram prejuízos a rondar sensivelmente 250 mil euros. É um custo avultado, que o Município não pode comportar a cada intempérie que ocorra e é evidente que tem que haver um apoio estatal neste domínio, não só aos agricultores, mas também ao Município, para que possamos continuar a dar essa resposta.”
Em Macedo de Cavaleiros, os prejuízos totais, contabilizados na agricultura e estragos em equipamentos públicos, vão além dos 230 mil euros, o que se veio a agravar agora com as intempéries de setembro.
Neste concelho, entre 40% a 60% da produção agrícola foi afetada, em algumas zonas rurais, assim como 50 hectares de olival e 20 de vinha.
O autarca macedense, Benjamim Rodrigues, considera que os apoios existentes são irrisórios:
” Aos prejuízos que foram inicialmente estimados em cerca de 230 mil euros, pode haver um agravamento com o que aconteceu em setembro e não ficava admirado se tivéssemos um prejuízo na ordem dos 350 mil euros. Os municípios dificilmente irão beneficiar desses apoios. Os apoios também são muito pequenos, são apoios que eu considero quase ridículos para os prejuízos que são causados.”
Já Vinhais conta com cerca de 40 hectares de produção agrícola afetados pela trovoada e granizo de 1 de junho.
Os estragos foram registados principalmente nas culturas do castanheiro, da vinha, hortícolas e forragens, assim como nos caminhos rurais, principalmente em duas localidades daquele concelho: Vilar Seco de Lomba e Edral.
Visto que para os municípios se torna difícil suportar os apoios que estes agricultores necessitam, o autarca vinhaense, Luís Fernandes, espera que a Ministra da Agricultura cumpra o que disse e reavalie os apoios para os agricultores transmontanos:
“Claro que isto é grave, embora os municípios, incluindo o de Vinhais, facultem vários tipos de apoio, claro que não são suficientes nem têm capacidade financeira para suportar todos esses prejuízos. A Ministra da Agricultura deixou entreaberto que ia ser reavaliada a situação, nem que seja para que, no futuro, o Município de Vinhais e os outros possam ser contemplados por outro despacho que resolva esta situação.”
Os autarcas da CIM Terras de Trás-os-Montes reuniram na terça-feira com a Ministra da Agricultura, por videoconferência.
Uma reunião que de acordo com Pedro Lima, que é também vice-presidente da CIM-TTM, deixou alguma esperança mas pecou por tardia:
“Esperança há sempre porque a senhora ministra foi evasiva nas respostas mas prometeu que viria ao território em breve para discutir, entre outros assuntos, a questão desta exclusão e potencial inclusão dos concelhos que são pertença das Terras de Trás-os-Montes e que foram afetados pelas intempéries.
O problema é que as intempéries já aconteceram em junho, o nosso pedido de reunião foi em julho e só aconteceu em setembro.
Já haveria tempo para se ter estudado e chegado a uma conclusão. Já deveríamos ter tido uma posição contundente por parte do ministério.”
A estes prejuízos acrescem os custos de produção elevados, o que de acordo com Pedro Lima, deixam os agricultores quase “sem lucratividade”:
“Não imagino outra época em que a agricultura tenha passado por uma fase tão crítica.
Tivemos um evento de seca há dois anos, que devastou muitas culturas, tivemos agora intempéries de granizo que foram consecutivas, e tivemos outra agora em setembro.
O agricultor já não tem margem nem lucratividade, quase. E, portanto, a agricultura está numa fase muito frágil e precisa, acima de tudo, que a tutela não a deixe órfã pois a agricultura, no Nordeste Transmontano, não significa só pessoas, significa também território. A manutenção do próprio território é posta em causa quando a agricultura não é devidamente incentivada.”
Os autarcas da região preocupados com a exclusão dos prejuízos causados pelas intempéries de maio, junho e setembro, dos apoios anunciados pelo Governo.
Escrito por ONDA LIVRE

