Nem o acordo entre o Ministério da Saúde e o Sindicato Independente dos Médicos, assinado a semana passada, nem o cordão humano organizado pelo Município de Mirandela que juntou centenas de pessoas, no fim de semana passado, demoveram a administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste da decisão de manter encerrada aquela especialidade sendo os doentes encaminhados para a urgência de Bragança, tal como já acontece desde o dia 8 de outubro.
Já não será este ano que reabre o serviço de cirurgia geral da urgência do hospital de Mirandela, fechado desde o dia 8 de outubro, quando os três cirurgiões que sempre estiveram afetos àquela especialidade, foram alocados, à urgência do hospital de Bragança (igualmente gerida pela Unidade Local de Saúde do Nordeste), alegadamente, por constrangimentos na elaboração de escalas devido à recusa da maioria dos médicos em realizar trabalho extra para lá das 150 horas.
Ao que apurámos, os profissionais de saúde, tiveram conhecimento, na passada sexta-feira, das escalas de serviço para todo o mês de dezembro e volta a não constar qualquer cirurgião para prestar serviço na urgência.
Tal como já tinha acontecido no início de novembro, também agora questionamos, por e-mail, a administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste para saber se a urgência de cirurgia geral iria reabrir, até porque o Ministro da Saúde já chegou a acordo com o Sindicato Independente dos Médicos. Mas, até agora, não obtivemos qualquer resposta.
Na verdade, durante todo este tempo, a administração nunca respondeu aos pedidos de esclarecimento, não dando qualquer explicação para esta medida, nem tão pouco esclareceu se a situação seria apenas provisória ou poderá vir a ser definitiva, tendo em conta que dois dos três especialistas, agora alocados a Bragança, já têm uma idade avançada (68 anos) e se não houver novas entradas pode estar em causa, em definitivo, aquela valência em Mirandela.
A reabertura dessa especialidade na urgência foi reivindicada por centenas de pessoas, no passado sábado, num cordão humano organizado pelo Município local, com a autarca Júlia Rodrigues, a dar voz ao descontentamento temendo que a medida possa tornar-se definitiva e venha a prejudicar mais de 45 mil pessoas, dos cinco concelhos do sul do distrito de Bragança que recorrem àquela urgência (Mirandela, Alfândega da Fé, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães e Torre de Moncorvo).
Sendo assim, pelo menos, até ao final do ano, os doentes que necessitem de ser vistos por um profissional de saúde daquela área, ou que tenham de ser submetidos a uma intervenção cirúrgica urgente, vão continuar a ser encaminhados para o serviço de urgência do Hospital de Bragança, a 60 quilómetros de distância.
INFORMAÇÃO CIR (Terra Quente FM)

