Agricultores da região manifestam-se amanhã em Macedo de Cavaleiros e Vila Flor

Agricultores de vários concelhos transmontanos estão a mobilizar-se para iniciar amanhã uma manifestação, junto à via de acesso ao IP2 e A4, em Macedo de Cavaleiros.
A par do que se assiste pelo país e em outros pontos da Europa, os agricultores pedem melhores condições para o setor e a reversão de medidas implementadas no âmbito da Política Agrícola Comum.
Eduardo Almendra, um dos organizadores deste protesto, refere que o atraso no pagamento dos apoios está a deixar alguns agricultores em situações complicadas:

“Passaram pagamentos de 2023 para 2024, com datas marcadas, e chegadas essas datas houve um incumprimento por parte do IFAP no pagamento dessas medidas a que os agricultores têm direito. Passado um ano não receberem nada, ficamos numa incerteza que faz com que os agricultores, muitos deles, estejam aflitos porque assumiram aqui alguns compromissos com a banca e não só, algumas despesas que têm de suportar nas suas explorações e chega à data e o dinheiro não aparece. As pessoas começam a ficar desesperadas
Temos de sair para a rua para que sejamos ouvidos e para que possam inverter algumas das medidas que foram implementadas no setor.”

 

Além disso, estes agricultores também pedem um apoio extra para quem é produtor nas zonas de montanha, como é o caso de Trás-os-Montes, onde os custos de produção são mais elevados, quando comparados com outras zonas do país:

“A própria regionalização e o repensar dos apoios às regiões de montanha, pois quem é agricultor aqui tem muitas mais dificuldades do que se fosse agricultor no Alentejo, devido aos custos de produção.
Produzir aqui um litro de azeite ou um quilo de amêndoa, tem um custo que pode ser o dobro do que o custo que tem essa produção, por exemplo, no Alentejo.
A nossa região é isso mesmo, com zonas de montanha, que são difíceis de trabalhar e se não houver aqui algum apoio extra para este tipo de agricultura, vai parar ao abandono e isso fará com que esta região tenha um maior risco de incêndios.”

O ponto de encontro destes agricultores está marcado para as 6h desta quinta-feira na Zona Industrital de Macedo. É esperada uma grande mobilização de agricultores, que pretendem criar constrangimentos na zona de acesso ao IP2 e A4, e o protesto poderá prolongar-se por mais dias:

“Estamos a tentar mobilizar o maior número de pessoas possível.

Fizemos contactos com agricultores de Mogadouro, de Vinhais, de Vimioso, de Bragança, de Carrazeda de Ansiães e Vila Flor, estes que, à partida, vão fazer uma manifestação também esta quinta-feira e, por isso, muitos não se juntarão a nós.
Vamos contar também com agricultores de Mirandela, Valpaços e de outros concelhos do distrito.
Vamos juntar-nos para fazer aqui uma mobilização muito forte de agricultores e criar algum constrangimento nestas zonas.
À medida que vai decorrendo o dia é que vamos decidir se desmobilizamos daquela zona ou se nos manteremos ali durante algum tempo.
Ainda não sabemos se a manifestação se vai prolongar durante alguns dias, pode não ser só o dia de amanhã.”

Um outro grupo de agricultores está também a preparar uma manifestação para acontecer amanhã de manhã junto ao nó do IC5 com o IP2, em Vila Flor.

Escrito por ONDA LIVRE