I São Pedro Agro Summit deu destaque ao azeite no primeiro dia

Já começaram os cursos que estão inseridos no programa da I São Pedro Agro Summit, que este ano é novidade do programa da Feira de São Pedro, que decorre em Macedo de Cavaleiros. Um momento de debate e reflexão para capacitar os agricultores de mais conhecimentos relativos aos produtos endógenos da região. O primeiro foi dedicado ao azeite e essencialmente dedicou-se à verificação de qualidade do óleo que os portugueses não dispensam à mesa.

O workshop contou com cerca de 20 participantes, especialistas e produtores que vieram a Macedo aprender com a formação fornecida por Sandra Lamas e Nuno Rodrigues, investigadores do Instituto Politécnico de Bragança. O investigador explicou quais são os parâmetros para perceber a qualidade deste produto:

“Um azeite para ser bom não tem de ter defeito, este é o primeiro aspeto em que devemos tocar e em que estamos a tentar trabalhar hoje.

Depois existem outros parâmetros, nomeadamente do ponto de vista químico, que também deve corresponder. São avaliados e antes de ir para o mercado devem passar sempre por um laboratório para serem medidos. Com base nesses resultados vamos determinar a categoria comercial. Para o azeite ser comercializado tem de ser classificado ou como azeite virgem extra ou como virgem. Sempre que tenha uma categoria inferior, não pode ser comercializado.”

Este curso demonstrou aos participantes o que mais se valoriza no azeite:

“Isto é apenas uma brincadeira para dar um cheirinho de como se prova e o que se valoriza. É normal que as pessoas não vão ficar especializadas em apenas duas horas.

É necessário voltar a repetir o curso e voltar a provar várias vezes para interiorizarmos e irmos melhorando.”

Também explicou como iria ser organizada a sessão de prova:

“Temos um copinho com o azeite que nos vai ser servido. São servidos entre 10 a 15 mil litros de azeite aquecido à temperatura de 28ºc. 

Em primeiro lugar cheiramos, depois provamos e, no fim, para tirar o gosto, utilizamos a maçã, porque o azeite, como tem algum amargo, algum picante e alguma adstringência, necessitamos de limpar a boca para podermos continuar a provar. Utilizamos a maçã como corta gostos e depois temos a água para ajudar a limpar a maçã e, automaticamente, estamos prontos para continuarmos a realizar a nossa sessão de prova.

O mini curso de introdução à análise sensorial de azeites demorou cerca de duas horas, com uma sessão teórica e uma outra prática, direcionada para a prova.

De destacar que o valor de mercado do azeite subiu em mais de 50%, no ano passado, em que a seca influenciou a produção, sobretudo em Espanha, a juntar-se com safras de baixa qualidade. Fazendo com que o mercado do considerado “ouro líquido” esteja cada vez mais caro e menos acessível às famílias.

Hoje o painel da São Pedro Agro Summit dedica-se ao vinho, em que haverá palestras e provas, no dia seguinte ao mel e no último dia à Inovação e ao empreendedorismo.

Escrito por ONDA LIVRE