Estudo que diz que Trás-os-Montes ficará deserto em 30 anos é “visionário da desgraça”

Até 2040 o interior do país deverá ter menos um terço da população.

Trás-os-Montes é uma das regiões que corre o risco de ficar deserta, caso as taxas de natalidade continuem a baixar.

A conclusão é de um estudo demográfico apresentado recentemente e que resulta do projecto DEMOSPIN, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O estudo relaciona o crescimento económico com o crescimento demográfico e para a região transmontana indica que tanto a produção como o emprego vai diminuir.“Em 2030, a produção em Trás-os-Montes diminuirá 11,8%, face a 2010, enquanto no país haverá um crescimento de 0,8%”, revela o coordenador do projecto, acrescentando que ainda na região “o emprego cai 30%”.

Eduardo Castro, professor da Universidade de Aveiro, considera que o problema é sério pois pode levar ao esvaziamento do interior do país.Por isso, alerta as entidades responsáveis para tomar medidas que segundo ele só podem passar pela fixação de jovens.“Isto é um aviso aos decisores políticos do que irá acontecer se não se fizer nada. Nós só queremos dar estas informações aos decisores para que meçam a dimensão do fenómeno e tomem medidas para o contrariar”, refere Eduardo Castro, salientando que “o grande problema das regiões do interior do país é que não é capaz de reter os jovens que são aqueles que podem fazer filhos a longo prazo, por isso a única forma de reverter esta situação é atrair pessoas qualificadas para trabalhar em Trás-os-Montes”.

 O presidente da Comunidade Intermunicipal de Trás-os-Montes critica este estudo classificando-o como “visionário da desgraça”.

“Eu não acredito nada nesse estudo pois tenho muita dificuldade em entender como é que uma inteligência iluminada possa dizer quantas pessoas é que o interior do país vai ter daqui a 30 anos”, afirma e lembra que “hoje o interior do país já não é o que era porque tem capital humana, as rodovias e os equipamentos que precisava”.

Américo Pereira acredita que ao nível demográfico, a tendência será de crescimento. “Há sinais claros de que a população quer voltar para o interior e fixar aqui a sua residência e exercer aqui a sua profissão”, refere o autarca de Vinhais. “Portugal está farto de estudos e por isso não dou qualquer valor a este porque é como as previsões meteorológicas para daqui a um ano”, conclui.

Um estudo demográfico que indica que a região pode perder um terço da população até 2040 a ser desvalorizado pelos autarcas.

 

Escrito por Brigantia (CIR) 

One thought on “Estudo que diz que Trás-os-Montes ficará deserto em 30 anos é “visionário da desgraça”

  1. Com as ajudas que este senhor dá para que exista crescimento não me parece que este estudo não tenha lógica. Aonde existe natalidade para colmatar as pessoas que infelizmente vão desaparecendo? Ao contrário existem aldeias cada vez mais desertas prontas a desaparecer infelizmente para quem anda por cá.

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