O Programa Cuidados de Saúde, desenvolvido pela Liga dos Combatentes, foi distinguido com um prémio denominado “Reabilitation Prize”, atribuído pela Federação Mundial dos Antigos Combatentes, e que reconhece o trabalho desenvolvido pelas associações no apoio aos combatentes dos seus países .
Este é um plano alargado, que incide na carência material e afetiva dos ex-combatentes da Guerra do Ultramar, mas também pretende apoiar no risco de desenvolver doença mental, como o stress pós-traumático. A novidade foi hoje avançada, em Macedo de Cavaleiros, pelo secretário-geral nacional da Liga dos Combatentes, Coronel Lucas Hilário.
“Nós temos um programa, que chamamos Cuidado de Saúde. Aliás, aproveito para dizer, talvez em primeira mão, que ganhámos agora um concurso ao nível da Federação Mundial de Antigos Combatentes com esse programa.
Nós temos espalhados pelo país 8 grandes centros de apoio médico, psicológico e social. A base das equipas é um psiquiatra, um psicólogo, um médico de clinica geral, um assistente social e um enfermeiro. Depois, à medida que os efetivos e que a procura se fizer nós vamos acrescentando essa equipa, normalmente na área da psicologia, porque é aí que as coisas têm que ser atendidas com a maior urgência.
Este programa que chega a 10 mil pessoas em todo o país.”
O Coronel Lucas Hilário, que falava hoje de manhã, à margem do III Encontro de Núcleos da Liga dos Combatentes em Trás-os-Montes, acrescentou ainda que o Estado comparticipa muito pouco programas desta natureza.
“O estado comparticipou com muito pouco neste programa, comparticipa é verdade mas com muito pouco, aliás posso dizer que talvez que num oitavo das necessidades que nós temos o resto temos que ser nós a arranjar. Estes programas também surgem para substituir o estado, nós vimo-nos obrigados a isso, por apoio aos combatentes e porque são nossos associados, são companheiros que nós temos que ajudar quer na parte material, quer nos aspetos relacionados com a doença. A liga dos combatentes nasce exatamente durante a primeira grande guerra quando os combatentes voltaram e não foram apoiados por ninguém, foram ignorados e às vezes hostilizados.”
Este encontro juntou ex-combatentes de Mirandela, Vila Real, Vila Nova de Foz Côa e Macedo de Cavaleiros, Núcleo organizador este ano. António Batista, presidente do Núcleo macedense, que explicou a importância destes eventos.
“A importância é mais unir as pessoas das localidades. Mirandela tem aqui um autocarro, Vila Real também, e nós estamos aqui com esta força que estão a ver. Portanto une as pessoas, divulgamos as nossas terras, os nossos Núcleos. No fundo, é mais um ato social, de união entre os povos aqui da nossa região. Sinto que é importante haver esta união, pois nós, os combatentes, temos um código de honra muito especial, pois muitos não se conhecem, mas unem-se logo.”
No discurso neste encontro, o secretário-geral da Liga dos Combatentes apelou a que as famílias peçam a transladação dos corpos dos ex-combatentes identificados recentemente na Guiné-Bissau. Entre esses soldados, há quatro que não foi possível identificar, e um deles irá, em novembro, ser colocado no Mosteiro da Batalha, como soldado desconhecido e símbolo de homenagem a todos que combateram no conflito em África. O Coronel Lucas Hilário garantiu ainda que continuam as diligências para tentar identificar os corpos dos portugueses mortos na República Popular de Angola, e dignificar as campas, onde há sete anos vêem a entrada negada.
Escrito por ONDA LIVRE


