Há pouca gente para trabalhar nas campanhas agrícolas

Falta mão-de-obra para as campanhas agrícolas em Trás-os-Montes.

Um mal geral que aqui tem como exemplo a aldeia de Suçães, no concelho de Mirandela. Em plena época da apanha da azeitona, Francisco Ataíde Pavão, um dos responsáveis da Casa de Santo Amaro, que cultiva actualmente 160 hectares de olival, e que emprega ao longo do ano 12 pessoas a tempo inteiro, revela que é difícil encontrar pessoas para trabalhar durante todo o ano, quer nestas campanhas, quer no resto da exploração agrícola que fazem durante o ano.

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Francisco Ataíde Pavão – Há pouca gente para trabalhar. Tudo bem que investimos muito em mecanização, mas precisamos de pessoas para trabalhar. Não tanto neste fase, mas ao longo do ano, precisamos de gente para trabalhar e há uma dificuldade muito grande, não só no olival mas também nos viveiros e no resto da exploração.

Primeiro, porque hás falta de população. Quando eu andava na escola primária, aqui, éramos cerca de 50 crianças. Hoje são 3, e tem que vir das anexas. A população está envelhecida, e há muita emigração, outros saíram daqui, para os grandes centros. Eu acho que aqui teriam condições para viver. Mas, há muita gente a voltar também! Portanto, esperamos que possamos ter mão-de-obra a breve trecho. Até porque temos que lutar pelo futuro desta aldeia e de Trás-os-Montes.

Onda Livre – Até agora, como é que colmatam a falta de pessoal?

Francisco Ataíde Pavão  – Investindo em mecanização.

Em relação à produção deste ano, a mosca da azeitona parece não ter passado só da ameaça, e não afetou o fruto. Pelo contrário, as temperaturas elevadas para a época têm obrigado a que se trabalhe rapidamente, para evitar que a azeitona fermente.

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“Este ano não temos tido problemas nenhuns com a mosca da azeitona. Temos tido sim o mesmo problema do ano passado, que é a questão da temperatura. Estamos num verão de São Martinho que é muito mais do que isso. Ontem estavam 20ºC, portanto estamos com temperaturas de primavera. E o que acontece muitas vezes é que quando a azeitona é apanhada e fica algum tempo nos reboques ou armazenada, podem ocorrem fenómenos de fermentação.

E isso nós não queremos. Por isso temos estado a trabalhar 24 sobre 24 horas, para que a azeitona apanhada durante o dia possa ser laborada durante a noite.”

A campanha começou há cerca de duas semanas. Francisco Ataíde Pavão explica como se vai desenrolar agora o resto da campanha.

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“Podemos dividir a campanha em duas fases. A primeira, até às geadas. Depois dessa altura, os azeites que vieram já têm um ligeiro defeito sensorial, a madeira, associado. Aí já não estamos a falar de azeites virgem extra, mas de azeites virgem.

Por isso, estamos a tentar apanhar a azeitona o mais rápido possível. Temos mais duas máquinas de aluguer, a juntar às duas que temos, para evitar que quando chegar a altura das geadas ainda estejamos a colher azeitona.”

A apanha da azeitona que este ano está condicionada pelo clima demasiado quente para a época.

Escrito por ONDA LIVRE