Entrudo Chocalheiro regista maior enchente de sempre

Mais de 10 mil pessoas rumaram a Podence para ver de perto os caretos e o Entrudo Chocalheiro.

Um ano recorde, que deixa ainda mais vontade de continuar a trabalhar para que a tradição não morra, afirma António Carneiro, presidente da Associação Grupo dos Caretos de Podence.

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“Foi de ano de recordes. Apesar de o São Pedro não nos ter ajudado muito,  durante os 4 dias passaram por aqui mais de 10 mil pessoas, o que é um feito histórico.

Temos aqui um trabalho de persistência e teimosia. É esse o motivo da nossa luta – uma tradição que é genuína e das gentes de Podence.

Cada vez vêm mais pessoas, não só turistas, mas também gente da aldeia. Há pessoas que deixaram de vir ao Natal para passar a vir ao Entrudo. Vi pessoas que não via há 30 anos.”

Nem o São Pedro, que trouxe a chuva, afastou os visitantes, que dizem vir conhecer as raízes e o genuíno.

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“Acho que é a nossa raiz, viver o nosso ADN. É ir buscar algo que nos transcende, e experienciar estas vivências é espectacular.”

“Aproveitei, e vim passar o fim-de-semana, para ver ao vivo o que conhecia só da televisão. É a coisa mais portuguesa que podemos ter no nosso país.”

“Viemos por curiosidade. Conhecíamos, mas queríamos ver. Já nos cruzamos com os caretos. Os chocalhos não magoam. São tradições bonitas e para manter.”

E entre os turistas, encontramos Ana Anjos. Chega sozinha de São Paulo, no Brasil. É ilustradora, e veio buscar inspiração a Podence.

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“Sou ilustradora, e chama-me a atenção a riqueza visual, que é muito parecia com os nossos Caboclos de Lança, de Pernambuco.

É o primeiro ano que estou aqui. Dos caretos vou levar muita riqueza, muita cultura, muita cor e muita festa. Vim de propósito de São Paulo, depois de conhecer esta tradição através das minhas pesquisas.

Tenho um projeto que se chama “Rota das Cores”, onde quero justamente explorar este sincretismo visual e cultural entre o Brasil e Portugal.”

Os Caretos, com as suas tropelias, fatos coloridos e a cinta de chocalhos, fazem a delícia de quem passa. E nestes dias não há nomes, só caretos.

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“É só careto.

Sou careto desde pequeno. É uma tradição ancestral, e é sempre bom continuar a segui-la e continuar a viver esta tradição e este ritual carnavalesco, que é as boas-vindas à Primavera, e à fertilidade primaveril. Remonta aos tempos em que a Europa estava sob o domínio do paganismo. É uma verdade tradição celta.

Vêm cada vez mais pessoas para nos ver, o que é bom, para ajudar a manter a tradição viva.”

2016 trouxe mais de 10 mil pessoas para o Entrudo Chocalheiro. Um ano de recordes em termos de visitantes. Quatro dias recheados de atividades compuseram o atractivo, como a Ronda das Tabernas, a animação musical ou os diversos workshops.

 

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Já na segunda-feira à noite ninguém ficou solteiro em Podence. Os Pregões Casamenteiros juntaram novos casais na aldeia, num tom satírico, e com dotes mais ou menos atrevidos, escolhidos no adro da igreja e anunciados com grandes embudes.

Na assistência, pessoas de diversos pontos do país, que vieram conhecer outra tradição carnavalesca bem transmontana.

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“É uma tradição portuguesa e boa. E muito diferente.”

“Bom, não percebemos muito bem a quem os pregões se dirigem, mas rimo-nos todos na mesma! É muito engraçado, assim como os dotes. Mas, não os queria para mim, confesso (risos)”

“Não conhecia esta tradição, esta vivência de carnaval”

“Já conhecia, mas nunca tinha visto ao vivo.”

 

Da Galiza, o David e a Martina, que antes passaram por Lazarim.

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David: Costumamos ir a carnavais em meios mais pequeno, e quisemos ver como é em Trás-os-Montes. Está a ser bom. São coisas mais antigas e tradicionais, e que vale a pena conhecer. Estivemos a pesquisar, e encontramos Podence. Antes, estivemos em Lazarim, e agora pela noite estamos aqui.

Martina: Sei que os caretos que vão chocalhar. Mas não vou levar a mais. É o distinto daqui. E, quando viemos, já sabíamos ao que vínhamos.

Uma tradição que se replica em outras aldeias do nordeste transmontano. Noutros tempos, na manhã seguinte, a “noiva” recebia o “noivo” em casa, para lhe oferecer o pequeno-almoço, composto por figos secos, nozes e água-ardente.

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Escrito por ONDA LIVRE