O mel proveniente da china está a ganhar terreno em relação ao produto português.
É a rotulagem deste produto, que resulta de uma mistura de meles, que está a causar preocupação nos apicultores da região, uma vez que nem sequer é específico sobre a origem, segundo explica Francisco Rogão, gerente da empresa macedense Macmel e apicultor.
“Neste momento, uma das preocupações é a rotulagem, porque há mel chinês no mercado que no contra-rótulo diz que é mel da UE (União Europeia) e não-UE. À frente, apenas diz que é mel, às vezes até que é produzido em Portugal, quando é aqui no país misturado.
Esse mel vai para a prateleira competir diretamente com o nosso produto, e é uma preocupação é um produto de baixa qualidade que está a fazer concorrência em nosso. Está presente em todas as grandes superfícies. Aqui em Macedo e em todo o lado.
Se as pessoas lerem o rótulo, apenas informa que é mel produzido dentro e fora da União Europeia, o que não é grande indicação sobre o produto.”
Ou seja, o rótulo apenas indica que o produto é oriundo de países europeus e de fora da Europa, o que pode induzir em erro ao cliente menos atentos.
A quebra nas vendas é já uma realidade.
“Têm que se criar condições para que o consumidor saiba o que está a comprar, o que cabe ao Governo e à Direção-Geral de Alimentação e Veterinária. As pessoas chegam ao supermercado, e só lêem que é mel, no rótulo da frente, e acabam por não ler a traseira.
Deviam obrigar a incluir a origem exata do produto, em vez de ter mel “do mundo”, porque acaba por não ser uma ajuda na hora de o consumidor escolher se quer adquirir o produto ou não, não tem poder de decisão.
Antigamente, este mel chegava cá em menos quantidade, até que alguém descobriu este “filão de ouro”, e está a explorá-lo. Já sentimos quebras nas vendas. Este mel chega cá a 1,50€ ou 1,60€ o quilo, e não temos como competir com isso, porque os nossos custos de produção são bem mais elevados.”
O produto chega depois às prateleiras a preços que rondam os 4 euros, ao passo que o mel da região anda pelos 6 euros /quilo.
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária foi contactada, a fim de obter mais esclarecimentos sobre o caso, mas até ao momento ainda não houve resposta por parte da instituição.
Este foi um dos assuntos debatidos por cerca de 300 apicultores, que no passado dia 6 de fevereiro se reuniram em Macedo de Cavaleiros para discutirem assuntos ligados ao setor apícola.
Escrito por ONDA LIVRE


