Fim dos exames de 4º e 6º anos pode ser bom para o sucesso dos alunos

No início deste ano, o Governo decidiu que os exames de 4º e 6º ano, que até já tinham data marcada, para maio, não se vão realizar.

O exame de 9º ano mantém-se, e serão introduzidas provas de aferição, que não contam para nota, no 2º, 5º e 8º anos.

Uma mudança que, na opinião de Paulo Dias, diretor do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros, pode ser benéfica para o sucesso dos alunos.

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“Poderá contribuir mais para o sucesso dos alunos a não existência dos exames tão precocemente, mas percebo que hajam clientes que entendem que o exame trazia uma maior seriedade e transparência ao processo e não creio que seja isso que acontece, o que ele traz é uma maior garantia de seriedade, o que não quer dizer que não exista sem o exame.

Portanto, neste momento, a preocupação a esse nível é assegurar essa seriedade e verdade da avaliação para que os resultados dos alunos reflitam exatamente o que eles sabem, para que as pessoas e as famílias saibam em que ponto eles estão e o que tem de ser feito para melhorar o ensino e a aprendizagem.

É um processo que temos continuamente em curso, e, por isso, este ano fomos oum Agrupamento que beneficiou de um acréscimo de horas como um prémio, por ser daqueles que tem maior aproximação entre resultados da avaliação interna com a externa, ou seja, as notas que os professores dão e aquelas que eles tiram nos exames.” 

Paulo Dias diz ainda que os alunos mais novos, de 4º ano, percebiam a importância do exame que iam prestar, e que a alguma tensão que poderia existir na escola foi criada pela comunicação social, com o destaque empolado que deram ao assunto.

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“Penso que sim, eles percebem. A situação dos exames era toda muito empolada pela comunicação social, porque no dia em que o aluno ia fazer o exame, consciente ou inconscientemente, estava na memória deles a posição da Associação Nacional dos pais, do governo, dos professores e, portanto, toda a gente tinha uma grande expectativa sobre os resultados e, de repente, viam-se ali, sozinho, com os resultados em frente a uma folha e pensavam “agora é comigo” e todos os olhos estavam em cima deles.

A comunicação social, nomeadamente as televisões nos horários mais nobres, abordavam as escolas como se os exames fossem um acontecimento da maior importância e vai acontecer o mesmo com as provas de aferição que acaba por ser um processo que não avalia alunos, só as escolas.”

Já Irene Gabriel, presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação de Macedo de Cavaleiros, garante que esta suspensão dos exames traz um alívio geral.

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“Não temos muito esse feedback dos pais, temos pontualmente ou com as pessoas com quem convivemos, ou eu, como diretora de turma na escola oiço os pais, e a maior parte têm ficado agradados.

Os miúdos, principalmente do 2º e 3º ciclos, sofriam de muito stress e toda a escola funcionava muito em função do exame, principalmente a partir de janeiro que era quando eles começavam a trabalhar mais para isso, tanto na escola como em casa, e tudo causava muito nervosismo que se refletia no exame de português e matemática. Acho que temos de pensar na educação, no desenvolvimento e no crescimento mas como um todo.”

Estes exames foram introduzidos em 2013, sob a alçada do ministro Nuno Crato. Começaram por ter um peso de 25% da nota final, mas chegaram a valer 30%, à semelhança do exame de 9º ano.

Um assunto em destaque na primeira sessão “9 meses, 9 temas”, promovido pela Associação de Pais e Encarregados de Educação de Macedo de Cavaleiros.

Escrito por ONDA LIVRE