Crianças e jovens em risco chegam mais tarde às instituições

As crianças e jovens em risco chegam cada vez mais tarde às instituições.

Crianças e jovens vítimas de negligência familiar, que é no distrito de Bragança a causa mais comum de institucionalização, mas também de maus tratos, abusos sexuais ou abandono, acabam por só ser retiradas às famílias biológicas durante a adolescência, o que se pode ficar a dever, segundo a psicóloga Sónia Almeida, à falta de intervenção precoce.

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“Chegam numa fase mais tardia, na adolescência, a partir dos 16 anos. Não sei muito bem o que se passa, mas acho que a intervenção precoce é essencial. Todos nós sabemos, e é do senso comum, que há famílias que precisam de ajuda. E há tantas instituições que poderiam fazer alguma coisa e toda a sociedade tem responsabilidade sobre isso. Quando uma criança está a passar por uma má situação, há que intervir, e avisar aos autoridades, como a CPCJ.”

Sónia Almeida é psicóloga no Centro D. Abílio Vaz das Neves, em Macedo de Cavaleiros, que tem neste momento acordos para receber 62 crianças e jovens, e que está perto da capacidade máxima.

À margem do I Encontro de Boas Práticas no Acolhimento Residencial de Crianças e Jovens do Distrito de Bragança, que quinta-feira aconteceu na instituição, a presidente, Estela Morais, corrobora esta ideia.

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“Realmente o número de crianças em instituições está a descer. Não há tantos pedidos, e os que há são de crianças mais crescidas, isto é, 16, 17 anos.

Estas crianças que já vêm mais tardiamente é mais difícil inserirem-se na instituição e adaptarem-se à escola.”

Há menos crianças e jovens em instituições, até devido às novas questões legais, mas poderá não ser algo necessariamente bom.

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Estela Morais – Há uma tendência para desinstitucionalizar as crianças.

Sónia Almeida – Até pelos dados que temos do CASA (Relatório de Caracterização Anual da Situação de Acolhimento) em relação a 2015, comparativamente com dados anteriores, houve uma desinstitucionalização de metade das crianças. Infelizmente, a mim não me deixa contente. Será que isso reflete que as crianças estão bem? Se calhar apenas reflete que há falta de intervenção.”

Ao Centro D. Abílio Vaz das Neves chegam crianças e jovens de todo o país, e também dos PALOP, mediante orientação da Segurança Social, que, juntamente com o Instituto Politécnico de Bragança reuniram vários lares de infância e juventude do distrito, para uma troca de experiências e de boas práticas.

Escrito por ONDA LIVRE