Vespa da galha detetada pelo segundo ano em Macedo de Cavaleiros

Este ano, já há novamente casos detetados da presença da vespa da galha do castanheiro em Macedo de Cavaleiros.

A chuva só agora começou a permitir aos produtores a deslocação aos campos, para fazer as vistorias aos soutos novos, plantados durante o inverno.

Na freguesia do concelho onde a castanha tem mais representatividade, Corujas, Diamantino Reis, que tem 20 hectares plantados, encontrou galhas infetadas em dois castanheiros híbridos.

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“Encontrei em 2 castanheiros, plantados este ano, em janeiro. O primeiro ano de plantação é o pior. No ano passado, este ano, já tive 2.

São provenientes, com certeza, de viveiros de Espanha.”

Também em Edroso, onde este ano muitos produtores renovaram os soutos, Manuel Clemente exibe um saco cheio de galhas com os bolbos onde a vespa se está a desenvolver. Não os encontrou nos seus castanheiros, ainda, mas acredita que vai encontrar.

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“Encontra-se a todas as horas, como vêem. Assim que for ao campo dar mais uma volta, vou encontrar, com certeza, nos meus soutos e nos dos vizinhos. Como há pessoas mais idosas, que não vêem bem, e que já nem podem andar muito bem,  quem está um pouco mais “em forma”, vai vendo os nossos e os do vizinho ao lado. Quando encontramos, tiramos. Porque fica a afetar os dos vizinhos e os nossos. Se não tivermos cuidado, vão todos.

Estes não eram meus, eram de uma pessoa da aldeia que ainda não tinha visto. Mas, nos meus deve haver igualmente.”

Em Podence, onde no ano passado houve casos detetados, há relatos de reincidência. António Alves não tem castanheiros afetados, mas já teve, e conta que este ano começou a optar por deixar de os plantar.

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“Sim, tenho dado a volta de 2 em 2 semanas, e ainda não apareceu nada.

No ano passado tive casos, mas muitos acabaram por secar, e então optei por outras plantas. As que vinham da Galiza, já vinham com os ovos da vespa nos rebentos.

Este ano já me relataram casos aqui em Podence. Um senhor encontrou ninhos da vespa em plantações deste ano, que devem ter a mesma proveniência.”

O mês de maio é essencial para a vigilância, para evitar que em julho e agosto haja vespas adultas aptas para reprodução, sendo que cada uma gera cerca de 100 ovos. O tempo tem atrasado o rebentamento dos novos ramos, explica Domingos Barreira, presidente da Cooperativa Soutos os Cavaleiros, que reforça que é fundamental a visita aos campos.

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“O castanheiro não está ainda numa fase de rebentação em que já seja visíveis em todos os soutos.

Nalguns, em plantações mais novas, de híbridos principalmente, que tendem a rebentar mais cedo. Quem os tem, pode já começar a fazer pesquisas, porque podem ser surpreendidos.

Há viveiristas menos conscienciosos, que pelo terceiro ano trazem castanheiros com galhas.”

E não são só os novos castanheiros que correm o risco de infeção, acrescenta Rafael Cepeda, técnico da Cooperativa.

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“Nesta fase, é muito importante os agricultores irem ver os soutos. Não só os novos, mas também os isolados, e as replantações, feitas com híbridos, para substituir os castanheiros secos.

Devem ir todas as semanas. Quem as encontrar, deve comunicar a nós, os às direções regionais. Deve tirar as galhas, colocar num saco, e queimar. Pode também enterrá-las, mas o mais eficiente é queimar.”

Até ao final do mês de maio, os produtores de soutos devem ir aos campos verificar se têm árvores contaminadas pela vespa da galha. Esta doença leva a que os castanheiros percam as folhas, e, consequentemente, sequem, e apenas é combatível pela luta biológica.

Depois de casos confirmados no concelho de Vinhais, também em Macedo de Cavaleiros surgem os primeiros relatos de nova presença da vespa da galha. Segundo dados da Associação Portuguesa da Castanha, se esta praga chegar em força a Trás-os-Montes, a quebra nas produções pode rondar os 80 a 90%.

Escrito por ONDA LIVRE