Em 17 meses, somando dados de 2015 e dos 5 primeiros meses de 2016, no distrito de Bragança aconteceram 15 acidentes com tratores, dos quais resultaram 10 feridos graves e 7 mortos. O último acidente foi na passada semana, no concelho de Macedo de Cavaleiros, na aldeia de Lamalonga, e tirou a vida a um homem de 72 anos.
Os dados são da Guarda Nacional Republicana, que justamente no concelho de Macedo, em Arcas, aldeia vizinha de Lamalonga, ontem desenvolver uma ação de sensibilização sobre acidentes com máquinas agrícolas.
José Rodrigues, da Secção de Programas Especiais da GNR, diz que os dados da sinistralidade com tratores continuam a preocupar.
“Vão trabalhar com o trator, e vamos ver alguns comportamentos que podem acarretar maior risco. Poderão ser evitados.
Com o inverno que tivemos, muito chuvoso, vão querer fazer os trabalhos agrícolas todos de uma vez, e pode acontecer que se esqueçam dos cuidados a ter, o que pode levar a comportamentos que acresçam risco às máquinas.
Esta aldeia foi escolhida para esta ação porque tem bastante olival, e as pessoas tendem a não usar o arco de Santo António, porque dizem que bate nas árvores. Só que ou bate o arco ou a cabeça do condutor.
Continua a ser uma realidade preocupante de atual.”
Em Arcas, ainda há muito agricultores a manobrar tratores. Luís Rodrigues, presidente da junta de freguesia, revela uma realidade transversal. A maioria dos manobradores tem idade avançada. Isso a juntar à inclinação dos terrenos, pode potenciar acidentes na região.
“Aqui em Arcas ainda há muita gente a manobrar tratores, e a maior parte são pessoas com bastante idade. O que pode facilitar o acidente. Por isso, é importante que aconteçam estas ações, para alertar para os perigos. A juntar que por aqui há muitos terrenos inclinados.”
Na assistência, alguns agricultores que sofreram acidentes de trator. Manuel Rodrigues, que já ultrapassou os 70 anos, teve um acidente há cerca de um ano, e ficou com sequelas que agora lhe dificultam a mobilidade.
“Vou buscar à caixa uma cesta para recolher ameixas. Já tinha passado pelas rodas, quando o trator começou a deslizar. Pensei que não o tivesse deixado bem travado, e tentei fazê-lo. Mas, devo-o ter destravado mais, até porque o trator é bastante alto, dificultava o alcance do travão. Já dei por mim no chão. Parti 7 costelas, a clavícula e a bacia.”
Também Amilcar Cornélio teve um acidente em circunstâncias semelhantes. Mesmo assim, admite que, apesar do susto, continua a não cumprir todas as normas de segurança.
“Deixei o trator, e fui levantar sacas de adubo. O trator começou nesse instante a andar. Tentei travá-lo, mas não fui capaz, e o veículo caiu numa ribanceira, e arrastou-me.
Às vezes uso o arco (de Santo António), mas outras esqueço-me, porque pode bater nalguma árvore. Sei que é perigoso não o usar.”
A GNR a sensibilizar os condutores de trator para os fatores de risco. Calçado aquedado, não transportar passageiros e o uso do arco de Santo António, são medidas simples, mas que podem salvar vidas.
O distrito de Bragança é, a nível nacional, aquele onde mais se registam acidentes com máquinas agrícolas.
Escrito por ONDA LIVRE

