O presidente da Federação Distrital do PS de Bragança não compreende a polémica gerada em torno da deslocação de equipas médicas compostas por dois ortopedistas e um anestesista da Unidade Local de Saúde do Nordeste para o Algarve, durante o Verão.
Carlos Guerra mostra-se surpreendido com a tomada de posição de partidos políticos, nomeadamente do PSD, contra esta medida, acusando mesmo a oposição de “aproveitamento político”.
“Parece-me que estarmos já a dizer que isto é uma tragédia, é estarmos a considerar que a administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste não estará na posse dos dados técnicos que lhe permitem tomar essa decisão.
Não deixa é de me surpreender a tomada de posição do PSD porque, com toda a franqueza, se tivessem tomado com tanta energia contestatária outras questões que se passaram nos quatro anos da anterior legislatura, certamente não estaríamos tão mal no distrito, porque fomos objeto no distrito de tanta malfeitoria na saúde e na justiça, que vejo aqui uma tentativa de mero aproveitamento político daquele que considero ser um mero ato administrativo.”
Carlos Guerra dá como exemplo a partilha de recursos dos serviços tutelados pelo Ministério da Agricultura, frisando que, no caso dos médicos se trata de uma gestão das entidades de saúde envolvidas e não do governo, como afirmou o PSD.
“Posso dizer que, por exemplo, a Direção Regional de Agricultura, tem, neste momento, técnicos a fazer análises de projetos que são de Lisboa e Vale do Tejo, porque cá não havia pessoas suficientes para o fazer.
Há uma gestão dos quadros da administração pública, e numa situação ao contrário. Mal seria se os agricultores de Lisboa e Vale do Tejo viessem reclamar.
Temos que confiar que a nossa administração pública saiba o que está a fazer. Se os resultados forem maus, cá estaremos para criticar e tomar uma posição.
O PSD atribui esta decisão ao Governo, mas é uma decisão dos serviços que tutelam a saúde.”
Carlos Guerra admite que possa haver carências de ortopedistas e anestesistas na ULS do Nordeste mas acredita que se esta deslocação de profissionais de saúde está a ser feita é porque há condições para isso.
“As necessidades em termos clínicos são grandes em todo o país e em todo o mundo. Mas, vejamos, há uma administração da Unidade Local de Saúde. A equipa médica não foi obrigada a ir para o Algarve. A direção apenas entendeu que havia condições para ceder temporariamente estes médicos.
Claro que gostaríamos de ter mais ortopedistas e médicos de outras áreas. Mas, se neste momento é possível esta deslocalização, penso que esteja tudo bem.”
É a resposta do presidente da Federação Distrital do PS de Bragança às críticas do PSD em relação à transferência de médicos para o Algarve, durante o verão.”
Recorde-se que também o autarca de Vinhais, o socialista Américo Pereira criticou a deslocação destes profissionais de saúde, enquanto porta-voz dos autarcas da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes.
Informação CIR (Rádio Brigantia)

