Ambientalistas propõe fim da caça à rola-brava

A caça à rola-brava devia ter começado ontem em Portugal, mas foi suspensa pela declaração de calamidade pública por causa dos incêndios, que vigora até às 24 horas de hoje.

As espingardas ficam penduradas por mais uns dias, mas não se vão calar, apesar de a Coligação C6 ter apelado ao Governo para que cancelasse a abertura da caça à rola-brava. O Ministério da Agricultura, que tutela o setor cinegético, manteve o calendário venatório.

A C6 reúne seis organizações ambientalistas, entre elas a Quercus. O seu presidente, João Branco, justifica a proibição da caça à rola-brava com o perigo de extinção que ameaça a espécie:

 

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“A população de rola-brava está muito diminuída, segundo o Observatório Europeu que faz que faz o censo das aves, a população está cerca de 80 % mais baixa do que em 1980 e o próprio governo reconhece, na estratégia nacional de conservação da natureza, que é um documento que está agora em consulta pública e a população de rola-brava está em perigo de extinção. Esta espécie foi recentemente colocada na lista vermelha das aves em riscode desaparecer.

Não faz qualquer sentido o governo considerar que a rola-brava está em perigo e depois manter a caça a essa espécie cinegética.”

 

Por outro lado, João Branco adianta que os incêndios florestais deste ano também estão a contribuir para a extinção da rola-brava:

 

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“As rolas edificam até agosto e os incêndios florestais, que já atingiram mais de 150 mil hectares, com certeza que mataram, se não os adultos, muitas ninhadas de rolas. Todo este conjunto faz com que seja necessário, de uma vez por todas, acabar com a caça a esta espécie que, aliás, é algo que os próprios caçadores também já pedem.

Recordo que há pelo menos uma federação de caçadores e o Movimento + Caça que já defenderam publicamente que é necessário fazer uma moratória à caça à rola, pelo menos por um período de três anos, sendo que durante esse tempo devem ser feitas as reavaliações da situação da população.”

Vítor Palmilha, presidente da Mesa da Assembleia Geral da Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses, salienta que já apresentou uma proposta para suspender a caça à rola-brava durante dois ou três anos. Mas com uma condição: a moratória deve ser assumida por todos os países que fazem parte da rota migratória da espécie:

 

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“Nós propomos que não se cace durante dois ou três anos e que isso aconteça em todos os países por onde passem as rolas na sua rota migratória. Não só aqui deve acontecer isso e deve-se ainda arranjar uma moratória entre estes países para que ninguém cace.

Não faz sentido deixamos nós de caçar para os espanhóis matarem a mais e deixamos lá ficar o nosso dinheiro.”

Em resposta a um pedido de esclarecimentos, o Ministério da Agricultura, adianta que a população de rolas é comum a Portugal, Espanha, França, Itália e a outros países mediterrânicos, pelo que a tomada de medidas a nível nacional não teria qualquer eficácia.

Nesse sentido, será necessária uma concertação a nível supranacional para que possa ser tomada uma decisão abrangente, que preserve a espécie.

Por sua vez, Vítor Palmilha, presidente da Mesa da Assembleia Geral da Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses, sublinha que argumentar com a questão dos incêndios não tem razão de ser:

 

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“As associações ambientalistas sabem perfeitamente que não podem vir para a opinião publica enganar as pessoas. Porque naquelas áreas é proibido caçar-se, numa orla de 50 metros nos 30 dias subsequentes à queimada, e nos concelhos onde têm ocorrido estes flagelos e desgraças do nosso país, como todos anos, têm saído portarias à interdição, não só da rola-brava, mas de todas as espécies. O governo, nas zonas de caça turísticas de associativas, não tem cobrado taxa uma vez que não se pratica o ato venatório. E, portanto, não valer a pena virem dizer para não se caçar a rola se ela está, por natureza e à base da lei, proibida.”

 

O fim da caça à rola-brava já anda a ser pedida ao Governo desde o ano passado pela Coligação C6, que reúne seis organizações ambientalistas, mas até agora não obteve qualquer resposta da tutela.

Imagem: Direitos reservados

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Ansiães)