O governo vai criar um sistema de protecção civil preventiva. O objectivo é evitar que a situação deste ano se repita. O verão ainda não acabou e a área ardida no país já ultrapassou os 200 mil hectares, é o maior número da última década.
A protecção civil preventiva será um mecanismo que terá uma vertente educativa mas que vai ainda envolver as autarquias, explicou o Secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes.
“Deve sair brevemente uma aprovação em conselho de ministros para a criação da Proteção Civil Preventiva o que vai ser uma grande aposta deste governo.
Temos de preparar as nossas comunidades para os comportamentos que devem ter em caso de catástrofes.
Realmente este ano sentimos que não existe essa preparação, não sabem como reagir e agir, e vamos fazer um trabalho muito forte nisto, não só junto das escolas mas também dos autarcas a nível municipal, assim como na criação de Unidades Locais de Proteção Civil, ou seja, com a participação dos cidadãos que pretendam e queiram trabalhar esta matéria e esta área ao nível do aviso, do alerta e da educação comportamental.”
A medida foi anunciada ontem pelo governante que participou numa homenagem aos bombeiros do distrito de Bragança no santuário de Nossa Senhora da Serra, Rebordãos, no concelho de Bragança.
E depois de a unidade técnica de apoio orçamental ter acusado o governo de ter cortado 5 milhões na protecção civil este ano, Jorge Gomes deixou a garantia de que o governo não desinvestiu neste sector:
“O governo não desinveste na Proteção Civil nem trava o que é necessário para que essa entidade proteja os cidadãos. E mais, não há orçamento quando há necessidade de intervir.
No aspeto numérico, no ano passado o orçamento da autarquia em relação à Autoridade Nacional de Proteção Civil foi de 129 milhões de euros. Em 2017 foi de 133 milhões de euros, o que quer dizer que não há desinvestimento.
Há algo que todos têm de ter consciência: nunca falhou nenhum recurso, nem humano nem material, por se pensar em dinheiro, tudo o que foi necessário apareceu sempre.”
Os Bombeiros Voluntários de Bragança ofereceram uma imagem de santa Teresa de Calcutá, que vai agora ficar no santuário.
A imagem foi benzida pelo bispo da diocese de Bragança/Miranda, que considerou também fundamental que se aposte na prevenção em relação aos incêndios. D. José Cordeiro frisou mesmo que considera essencial que governo autárquico e central se unam para fomentar uma cultura de prevenção:
“Pedimos a Deus que ilumine a todos mas de modo especial aos governantes para criarmos uma cultura de maior cuidado da criação e da natureza e até uma cultura anti-incêndios para que o prevenir e o evitar aconteçam logo desde a infância e que seja uma cultura que entre em todos os lugares onde habitamos e em todas as pessoas.
Esta guerra à casa comum torna-se impossível.
Apetece-nos dizer, àqueles que têm o governo central e autárquico, por favor, entenderam-se e que juntos consigamos encontrar caminhos para esta nova cultura da vida e do cuidado da criação.”
Declarações ontem no santuário de nossa senhora da Serra, no cimo da serra da Nogueira, que por estes dias recebe milhares de peregrinos.
INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia)
