Agricultura e nascentes são os mais afetados pela falta de chuva

A seca severa e extrema que atinge mais de 80 % do território continental agravou-se no passado mês de setembro.

O valor de água resultante das chuvas acumulado de outubro do ano passado a setembro deste ano, que corresponde ao ano hidrológico, foi o 9º mais baixo desde 1931, resultando no estado de seca severa para grande parte das bacias, segundo informações do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Na agricultura, as zonas onde a água já era menos abundante vão ser as mais afetadas, assim como os cursos de água que, nesta altura, já de deveriam estar a ser reabastecidos pela chuva, refere Pedro Teiga, Doutorado em Engenharia do Ambiente.

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“A seca incide particularmente nos locais onde, por norma, já se verifica um stress hídrico, como por exemplo, nas culturas que normalmente já não são regadas e são de sequeiro, sem qualquer acesso à agua e estão dependentes da seca atmosférica e meteorológica, ou seja, ausência de pluviosidade. São os espaços onde vão surgir maiores problemas a nível florestal e agrícola.

Todas as fontes e mananciais (nascentes) de água vão sentir o reflexo da ausência da recarga que nesta altura já teríamos com o ano hidrológico a iniciar dia um de outubro, que significa o chegar das chuvas e reabastecimento a todos estes espaços. 

Esperamos que a seca termine em breve.”

 

As situações de seca têm-se verificado cada vez mais severas e prolongadas ao longo dos anos, e a tendência é que e o mesmo venha a acontecer com as cheias.

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“As secas ocorrem no nosso planeta em ciclos e esta está dentro daquilo que vai ocorrendo com as alterações.

A intensidade e o agravamento destes períodos de seca é que tem sido cada vez mais gravosos. As notícias têm indicado que estamos a passar uma situação muito grave, o que com as alterações climáticas que ocorrem e estão a ser medidas pelos cientistas nas várias especialidades, confirmam que, efetivamente, as secas são cada vez mais severas e prolongadas no tempo. 

O mesmo vai acontecer quando acontecer cheias. Vão ser mais intensas, circunscritas no tempo e com danos mais agravados no espaço.

Para isso temos que nos adaptar face a estas alterações climáticas.”

Quanto à problemática dos incêndios, Pedro Teiga que é especialista em rios, aponta um método que pode evitar a propagação do fogo a grandes áreas.

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 “A questão dos incêndios é, por si só, uma temática complexa e não está a ser resolvida porque os problemas são de várias frentes e de uma alta complexidade.

Quanto a mim, enquanto especialista em rios, não tenho a mínima dúvida que a reabilitação de rios e a existência de uma galeria ribeirinha ao longo dos dez metros de corredor fluvial, representaria uma barreira natural contra incêndios. Assim, também a vegetação teria um grau de humidade para que, quando os incêndios passassem por lá, pudessem ser travados em determinadas condições e critérios.

Isto não substitui a existência de uma gestão florestal, não retira o envolvimento dos proprietários, a sincronização de combate e os sistemas de alerta.

Convém que estejamos todos envolvidos e a comunidade seja cuidadora deste ambiente que é de todos. “

O período crítico de incêndios foi alargado até 15 de outubro.

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, a chuva deve estar de volta já a partir da próxima semana assim como uma leve descida das temperaturas.

Escrito por Onda Livre