Fomentar as trocas comerciais entre países de língua oficial portuguesa, é um dos principais objectivos do CALJE, o conselho associativo para a lusofonia de jovens empreendedores, que foi criada esta semana em Alfândega da Fé, onde vai ficar a sua sede. O projecto envolve várias parcerias, entre elas a do Instituto Politécnico de Bragança, uma vez que está previsto o apoio de 50 bolsas de estudo para formação de jovens lusófonos em Portugal.
O presidente da direcção, Maquito Daniel também ele um jovem empresário angolano, explica em que medida o CALJE pode ser determinante para desenvolver o potencial de jovens empreendedores no países lusófonos.
“Nós temos uma estatística muito básica que é, de 500 milhões de consumidores na Europa temos cerca de 100 milhões de jovens Lusófonos com mão-de-obra desqualificada porque é por falta de conhecimento, falta de formação. Então, se não existem essas tais políticas que possam abranger todos eles, o CALJE vem como parceira do Estado, ou de qualquer Estado-Membro da CPLP no sentido de podermos ajudar. Como a União Europeia existe, os consumidores existem, plataformas financeiras para poderem apoiar as iniciativas, então vamos fazer uma permuta, uma permuta comercial.”
Portugal é também uma porta de entrada para a Europa e para um universo de 500 milhões de consumidores, o que se revela uma possibilidade com muito interesse e potencial para os países de África, por exemplo.
“Alocar esses jovens para uma plataforma de formação que é a Rota do Azeite de Trás-os-Montes, as escolas de formação cá em Portugal e ao mesmo tempo eles voltam para os seus países onde vão poder produzir. Essa produção leva 4 ou 5 anos mas até lá nós teremos frutos. A União Europeia tem tecnologia, a Europa tem ciências, tem ferramentas. Essas ferramentas vão para os países Lusófonos, sobretudo da África, e poderem produzir, esses produtos são convertidos como pagamento de várias trocas comerciais que poderemos fazer.”
A Rota do Azeite, o projecto de Trás-os-Montes que está já implantado com cerca de 200 pontos de venda de vinho e azeite transmontanos em países como o Brasil, Angola ou Moçambique, acarinhou desde o primeiro momento a criação desta associação. Por isso, criou as condições necessárias para a sua constituição, tornando-se parceira que poderá facilitar contactos e transacções no mercado português, como destacou Jorge Morais, da Rota do Azeite.
“Nasce a ideia de criar uma estrutura para abrir portas para fazer esses protocolos bilaterais de forma a que possamos ajudar na formação, uma vez que temos a excelência do ensino em Trás-os-Montes, e por sua vez, quando eles adquirirem essa formação voltarem aos seus próprios países e produzirem de forma a que a sua balança comercial de importação aumente mais que a exportação. Vender os nossos produtos qualificados por eles, vender a quem? Às plataformas governamentais. Desde o Ministério da Saúde, Hospitais, Ministério do Exército, Ministério da Educação. São eles de facto que compram muito, que importam muitos produtos, não é o empresário comum.”
Para a Presidente da Câmara de Alfândega da Fé, Berta Nunes, que acolheu no seu concelho o CALJE, esta é uma forma de trazer para a região projectos de interesse e potencial nacional, apesar da dimensão do desafio.
“O que vimos aqui hoje é um trabalho excecional, um trabalho que eu pude verificar em algumas reuniões que algumas entidades mesmo oficiais não conseguiram concretizar. Com trabalho, com persistência nós podemos fazer algo diferente e dar a volta à nossa situação. Que supostamente, aqui de Trás-os-Montes é de uma certa periferia, de interioridade, de falta de empreendedorismo, da falta de capacidade para. Nós temos essas capacidades, o que nos falta é ter confiança em nós, fazer mais redes.”
A tomada de posse dos órgãos sociais do CALJE aconteceu na passada terça-feira, no auditório de centro Cultural de Alfândega da Fé e contou com a representação da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. A sede fica nas instalações do Hotel SPA de Alfândega da Fé.
INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia)
