Cerca de 16 milhões de euros a distribuir pelos concelhos afetados pelos incêndios

Dezoito municípios do Norte do país vão receber dois milhões de euros para investir em projetos urgentes de regularização fluvial, tais como a limpeza de ribeiras e garantir as condições de escoamento, bem como a intervenção nas margens para diminuir o risco de erosão.

Os protocolos foram assinados sábado, em Alijó, na presença do ministro do Ambiente, João Matos Fernandes.

Para além do concelho anfitrião, nesta região estão abrangidos os de Chaves, Figueira de Castelo Rodrigo, Macedo de Cavaleiros, Murça, Ribeira de Pena, Torre de Moncorvo e Vila Nova de Foz Côa. Todos os eles foram assolados, com maior ou menor grau de destruição, pelos fogos florestais de 2017.

Segundo o ministro do ambiente, uma rede hidrográfica limpa é mais resistente ao fogo:

 “A rede hidrográfica é fundamental na estruturação do território, e o conjunto de ecossistemas que existem à volta desta mesma rede hidrográfica mais capilar, é absolutamente fundamental para estruturar o território e lhe dar resiliência. De outra forma, uma rede hidrográfica limpa, que tem nas suas margens a vegetação que é suposto ter, é mais resistente ao fogo. E por isso, este trabalho, é fundamental, para recuperar áreas que foram afetadas, algumas infraestruturas (como praias fluviais, pontes, açudes), mas é também importante como tarefa de prevenção estrutural contra incêndios.” 

O ministro do Ambiente salientou ainda que nestas intervenções não vai ser usado betão:

  “Trata-se de prevenir e de criar um território mais resistente, e de melhorar, introduzindo técnicas de engenharia natural que já têm alguma robustez científica em Portugal mas que não são tão comuns quanto isso. Nestes exemplos, vamos fazer as obras sem betão, e com isso respeitar as secções de vazão das ribeiras, e garantir que os taludes das ribeiras quando existem são muito mais resistentes à erosão.” 

Em Alijó, por exemplo, a intervenção vai abranger a área afetada pelo grande incêndio que se verificou no concelho, em julho de 2017, e queimou cerca de 5.000 hectares. O presidente da Câmara, José Paredes, diz que o concelho vai receber 160 mil euros para intervir, sobretudo, na zona da albufeira de Vila-Chã:

 “Alijó dispõe de uma albufeira para abastecimento da população, toda a zona da albufeira foi atingida pelo grande incêndio de meados de julho do ano passado. É abastecida por uma série de linhas de água, há que proceder à reabilitação dessas mesmas linhas, evitar a erosão dos solos, repor a vegetação ripícola, toda a que não tenha capacidade de se regenerar normalmente, ter atenção aos taludes que são bastante íngremes na zona da albufeira e algumas linhas de água, que são importantes no concelho de Alijó.” 

Os 18 municípios que, no sábado, assinaram protocolos estão englobados num conjunto de 57 concelhos do território português afetados pelos incêndios, nos quais vão ser intervencionados 1.360 quilómetros de rede hidrográfica, com um investimento de 16,2 milhões de euros.

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Ansiães)