Dez dias depois de concluída a remoção das cinco mil toneladas de resíduos perigosos, resultante de dois incêndios, financiada pelo Fundo Ambiental, em 270 mil euros, João Matos Fernandes visitou, aquele complexo e foi confrontado com a necessidade de mais apoios para uma nova fase da reabilitação, para a qual serão necessários, cerca de 200 mil euros.
O titular da pasta do ambiente deixou entender que uma verba será inscrita no Fundo Ambiental, deste ano, que deve ser conhecida no final do mês.
O Ministro do Ambiente visitou as instalações do complexo do Cachão, depois de, no passado dia 4 de janeiro, ter sido concluída a operação de remoção das cinco mil toneladas de plástico. João Matos Fernandes elogia o trabalho de parceria entre o poder local e o Governo:
“Esta era uma preocupação das autarquias e da Comissão de Proteção da Região Norte à qual o Estado se associou. Havia aqui um passivo ambiental, eram cerca de cinco mil toneladas de lixo que tinham necessariamente de sair daqui, que não deixavam de ser um entrave até á própria captação de outros negócios e de outros interesses económicos para a zona do Cachão. Quando a questão nos foi sinalizada, através do fundo ambiental, apressamos-nos a financiar esta mesma empreitada cujo dono de obra foi a Associação de Municípios e também as autarquias.”
Mas o trabalho de requalificação do complexo ainda não está concluído. Fernando Barros, presidente da administração da AIN – Agro-Industrial do Nordeste – que gere o complexo, solicitou ao Ministro mais apoio financeiro para a retirada das toneladas dos escombros, cujo investimento será superior a 200
mil euros:
“Tivemos a oportunidade de mostrar ao sr. Ministro que o trabalho ainda não está completamente concluído. Há paredes a fazer, há escombros que são necessários tirar para que o Cachão ,ambientalmente, e até em termos urbanos tenha outra potencialidade, outra visibilidade. É isso que nós demonstramos, são outro tipo de resíduos, outro tipo de lixo que não são perigosos como eram os anteriores, mas que é urgente retirar e remover para que isto seja reabilitado. É uma reabilitação ambiental muito premente e necessária.”
O ministro do Ambiente deixou garantias de apoio no plano de investimentos do Fundo Ambiental deste ano, mas quanto ao montante a conceder terá de se esperar pelo final deste mês:
“Há a existência de outros problemas ambientais no Cachão, sem a dimensão deste, mais pequenos mas que, obviamente, do lado do Ministério do Ambiente vamos agora olhar para eles, e vai ser certamente possível nós continuarmos a financiar as operações de reabilitação ambiental do Cachão. O despacho de Fundo Ambiental é da minha responsabilidade, será tornado público no final do mês de janeiro e portanto esta era mesmo a altura ideal, para vir perceber o que é que ainda faz falta no Cachão.”
Depois da reabilitação ambiental e física, as câmaras de Vila Flor e Mirandela, que integram a sociedade da AIN, prometem tentar promover a reabilitação económica e financeira com a captação de mais investimentos para o Cachão.
O presidente da junta de freguesia de Frechas, da qual o Cachão é anexa, está satisfeito com o trabalho que agora está a ser feito, e apesar de considerar que o antigo complexo nunca vai ter a pujança dos primeiros anos de vida, José Carlos Teixeira acredita que estão criadas as condições para um novo ciclo positivo da vida do complexo:
“Para ser realista, acho que isto nunca vai ser aquilo que já foi, mas presumo que é o início de uma nova etapa, e agora com a retirada do lixo tem mais condições para captar empresas que há interessadas em virem para este complexo. A partir daí vamos começar a fomentar novas empresas e eu acho que isto vai ter um novo desenvolvimento para a região. É bastante importante, não só para os postos diretos que aqui trabalham desta população, mas toda a envolvência dos postos indiretos.”
Atualmente estão instaladas no complexo poucas empresas nas áreas das lãs, castanha, azeite e um laboratório de análises.
Entretanto, sobre este processo que se arrastava desde o primeiro incêndio, em Setembro de 2013, num dos armazéns onde a empresa Mirapapel depositou plástico prensado, o Ministro do Ambiente deixa entender que vão ser pedidas responsabilidades à referida empresa:
“Nós para já fizemos o que tínhamos a fazer. Este era um problema ambiental, que no limite podia ser até um problema de saúde pública, embora nunca tivesse sido sinalizado como tal mas que agora está resolvido. Não deixaremos de, em conjunto com as autarquias, procurar saber se há alguém com uma responsabilidade mais direta. Se assim for ir, iremos à procura de ser ressarcidos por esse mesmo valor que aqui foi investido. Para já o que nos importa é que está feito e está pago.”
Depois de concluída a fase de remoção dos lixos, Governo e autarquias devem recorrer à justiça para responsabilizar a empresa Mirapapel com o intuito de ver ressarcido o investimento feito para as operações de limpeza do complexo do Cachão.
Foto: Rádio Brigantia
INFORMAÇÃO CIR (Rádio Terra Quente)

