A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, anunciou sábado, em Alijó, que vai dar entrada hoje, na Assembleia da República, um projeto de lei para a renacionalização dos CTT.
O Bloco aproveitou o “Encontro do Interior 2019”, que se realizou na vila duriense, para apresentar um projeto para os CTT e justificar que nacionalizar os correios é defender os serviços públicos e também o Interior:
“Desde que os CTT foram privatizados já encerraram mais de 80 balcões em todo o país. As populações do Interior são as particularmente penalizadas, ficam sem um serviço público essencial e é preciso dizer que os CTT eram uma empresa pública lucrativa que podia não ser perfeita, mas estava presente em todo o território a responder às necessidades da população. Depois da sua privatização feita por PSD, CDS, mas também acordada pelo Partido Socialista com a União Europeia e, erradamente, é hoje uma empresa que em vez de dar lucro ao Estado dá menos serviço público ao País.”
Catarina Martins criticou ainda que os CTT estão a ser destruídos pela ganância dos novos acionistas privados:
“Os acionistas privados têm feito uma verdadeira sangria dos CTT, distribuíram em dividendos mais do que os lucros da empresa, ou seja, aquilo que foi construído com investimento público e o esforço quando era uma empresa pública, está hoje a ser destruído pela ganância dos acionistas privados, tanta gente que percebe isso. Os CTT, na verdade, são hoje um banco que foi entregue aos privados e os serviços de correios desapareceu. Ora o contrato de concessão dos serviços dos correios acaba em 2020. Eu questionei há mais de um ano o Governo sobre o que ia fazer, e ao longo de todo este tempo temos estado presentes quando fecham as estações de correio, dizendo que elas são importantes a população. O primeiro Ministro dizia há um ano que ia fazer um grupo de trabalho para retirar conclusões e depois perceber o que ia fazer com os CTT. Neste ano, a situação só se degradou mais e agora o Governo diz que só no fim do contrato de concessão de 2020 é que vai agir, mas aí será tarde de mais.”
O primeiro-ministro, António Costa, disse na sexta-feira que o Governo vai esperar até ao final do contrato da concessão do serviço postal nacional, em 2020, para avaliar a forma como a empresa tem executado as suas obrigações e depois decidir se retoma a gestão dos CTT.
Entretanto, o secretário-geral do PSD, José Silvano, disse, no sábado, em Chaves, que a privatização dos CTT não é um problema em si, mas antes se o Governo faz cumprir ou não o contrato de privatização e o seu caderno de encargos:
“Automaticamente esta pretensão do Bloco de Esquerda não vai ter sucesso porque o PS já disse que não e o Governo também, dizendo que respeita o contrato que termina em 2020 e só depois é que está disponível para analisar. A posição do PSD é que os correios foram privatizados mas têm um caderno de encargos que tem que ser feito. A privatização em si não é o problema, mas sim se o Governo faz ou não faz cumprir o contrato que assinou. Nele estava que todas as estações dos CTT que se tornassem necessárias, pelo menos uma por cada concelho, deviam existir e o que é verdade é que elas já fecharam. Prevê-se que fechem mais de 40 e o PSD nisto é frontalmente contra, mas não é através da nacionalização, porque isso vai levar ao mesmo.”
A posição de José Silvano, secretário-geral do PSD, sobre o projeto de lei do Bloco de Esquerda para a renacionalização dos CTT que vai dar entrada hoje na Assembleia da República.
INFORMAÇÃO CIR (Rádio Ansiães)

