Rui Rio em Bragança: falta de recursos humanos na saúde será mais acentuada no interior do país

Deixando claro que a saúde é talvez o maior problema do país, o líder do Partido Social Democrata, Rui Rio, frisou, ontem, em Bragança, que, nesta área, a maior preocupação é a falta de recursos humanos e que no interior será mais acentuada.

“O que me traz ao Hospital de Bragança é a mesma coisa que já me levou a outros hospitais. Tenho a noção exata de que a saúde é, neste momento, talvez o maior problema do país e que mais preocupa os portugueses.

Portanto, tenho andado pelo país a fazer diversas reuniões e aproveito sempre para visitar os hospitais, vendo quais são os principais problemas. Alguns são transversais e outros mais específicos, como por exemplo a falta de recursos humanos, sejam enfermeiros ou médicos, que se no litoral se queixam, naturalmente que no interior se queixam muito mais.”

O presidente do PSD deixou claro que é preciso atrair os profissionais para estes territórios, contudo, com os recursos humanos que podem vir para o interior, vêm famílias e é preciso, por isso, criar condições para que também se possam fixar.

“Temos de encontrar atrativos para os profissionais aqui. Os médicos trazem consigo uma família e, como tal, temos de ter políticas de desenvolvimento do interior para que as consigamos incentivar a vir para cá. Não adianta dar o incentivo ao médico se depois a família não tem facilmente uma carreira profissional.

É necessário olhar para o interior com muita coragem, acima de tudo, porque qualquer coisa que se faça em prol do interior vai faltar depois no litoral. O país não pode continuar assim, desequilibrado, o que no caso concreto aqui da saúde isso também é notório.

Este hospital tem problemas, como todos os outros têm, mas tem até menos que alguns que eu já visitei. A falta de recursos humanos é transversal a todo lado, mas em particular no interior.”

Em relação à greve dos enfermeiros, saudou o recuo de um sindicato e sobre a primeira greve cirúrgica dos enfermeiros descreveu-a como ilícita mas assume entender a sua luta, sublinhando que em causa o que estava era o modelo de greve adoptado que afectava directamente as pessoas.

“Sempre tive dúvidas sobre a legalidade da greve, nomeadamente sobre a forma como estava a ser feita. No entanto, nunca tive dúvidas sobre a justiça para os enfermeiros. Eles têm razão nas suas reivindicações, mas há formas e formas de luta e a que escolhida estava a provocar um sofrimento muito grande a muita gente, com contornos que me deixam muitas dúvidas quanto à legalidade, nomeadamente quanto ao tipo de greve e a forma como é financiada.”

Rui Rio considerou que se a ADSE é vital no país e se deixasse de existir atirava com mais de um milhão de pessoas para o Sistema Nacional de Saúde que não está no seu melhor. Por isso frisa que os privados abusaram de um funcionamento deficiente por parte da ADSE e que tudo que o governo fizer nesse sentido pode estar correcto e esse objectivo tem de ser em termos nacionais.

Foto: Concelhia de Bragança do PSD

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia)