Um cientista com origens em Mirandela desenvolveu uma investigação inovadora na área do cancro na Universidade de Harvard, nos Estado Unidos da América.
Miguel Coelho coordenou uma investigação que mostra como as células aceleram a instabilidade genética, o que ajuda a compreender a origem do cancro e sua resistência. O cientista e a sua equipa, que incluía ainda outro investigador português, contrariaram ainda o postulado de que são necessárias duas mutações nos genes, ao demonstrar que uma única mutação é suficiente para acelerar a instabilidade genética e gerar cancro:
“Isso foi uma grande descoberta em relação ao que era esperado, pois os estudos de cancro hereditários e genéticos de análise de genomas cancro, sempre postularam a hipótese de haverem dois eventos, duas mutações, para o processo de cancro começar. A verdade é que essas mesmas mutações têm de existir para alguns genes de cancro, mas uma única é suficiente para começar a instabilidade genérica que vai acelerar o processo da doença.”
A investigação, que começou em 2013 na conceituada universidade norte-americana, pode ajudar a encontrar novas formas de travar o desenvolvimento do cancro e a criar novos tratamentos que controlem melhor a doença.
“Foi descoberta uma série de genes que aceleram a tal instabilidade genérica e, por causa disso, podem significar novas vias para terapia e controlo da doença.O que a minha investigação veio adicionar é um conjunto de genes que, no fundo, nos pode indicar qual é o caminho terapêutico a seguir para podemos tentar alvejar com fármacos e com drogas para tratamento.”
A descoberta pode contribuir para desenvolver tratamentos mais personalizados:
“Recentemente, têm-se desenvolvido uma sequenciação de marcadores específicos para os diferentes tipos de tumores que os pacientes apresentam e apostado numa terapia de células “T”, que basicamente usa as próprias células do sistema imunitário do paciente, alterando-as geneticamente de forma a torná-las mais compatíveis contra o cancro.O que o meu trabalho vai adicionar a isto é que agora sabemos um pouco melhor onde devemos procurar os indícios da instabilidade genética que podem tornar os cancros resistentes a este tipo de terapias.Portanto, no fundo, trata-se de tentar perceber como é que o cancro se pode adaptar rapidamente e tentar prevenir que ele chegue a esse estádio, ou então desenvolver drogas para prevenir as células de fazerem isso.”
A investigação, inicialmente desenvolvida em células de levedura, mas nos dois últimos anos o cientista de raízes transmontanas passou a fazer experiências em modelos celulares de humanos e foi publicado.
INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia)
