Alunos brasileiros do Instituto Politécnico de Bragança manifestaram-se, ontem, contra os cortes anunciados pelo governo de Bolsonaro para a educação. A medida deverá reduzir o número de estudantes daquele país no IPB, instituição que tem actualmente mais de 600 alunos em mobilidade provenientes do Brasil. Marcus Mota, aluno de mestrado, desde Fevereiro em Bragança, afirma que há já institutos e universidades que estão a acabar com os programas de mobilidade.
“Bragança será afetada pelos cortes na educação em 30% do orçamento, o que tem impacto negativo e fará com que menos alunos venham estudar em mobilidade através de bolsas do governo federal.
Serão menos alunos e menos receita em Bragança, assim como menos rendas e pessoas a comprar nos supermercados.
A minha instituição de ensino já anunciou que não vai mais trazer alunos do Instituto Federal de Educação do Norte de Minas e há outras instituições que já estão a aderir a esse pacto.”
O corte deve afectar em particular as bolsas. Por isso, Gabriela Ribeiro, outra estudante brasileira em Bragança, teme que apenas uma pequena franja de alunos com mais possibilidades económicas passe a conseguir fazer mobilidade.
“Mesmo com a vinda de alguns brasileiros para cá, o que vamos observar é a mudança do perfil sócio-económico dos brasileiros que estão aqui. Se hoje já temos uma classe média presente em Bragança, a tendência é que isso aumente.
Todo o acesso à educação é complicado no Brasil, não conseguimos pensar numa oportunidade de internacionalização.”
Cerca de 30 estudantes brasileiros quiseram manifestar o seu descontentamento com os cortes de 30% na educação no Brasil, que põem em causa várias instituições.
“Dificultam o funcionamento das universidades e dos institutos de educação. Com isso, muitos deles vão fechar as portas.
Temos o exemplo de um hospital universitário que teve 100% do corte e assim já não consegue funcionar.
A nossa luta aqui não é só pela internacionalização, é também pela existência das universidades. “
“Eu também venho de um Centro Federal de Educação Tecnológica, que são instituições centenárias do Brasil e agora estão em risco de deixar de existir.
No caso do centro federal que frequento também já lançou uma nota a informar que a partir do próximo ano não terá verba para continuar a funcionar.”
No designado Dia Nacional de Mobilização em Defesa da Educação, em que no Brasil milhares saíram à rua para contestar os cortes do governo neste sector, Bragança juntou a voz aos protestos contra a medida, que levará à diminuição do número de estudantes na cidade.
INFORMAÇÃO E FOTO CIR (Rádio Brigantia)

