Bares e discotecas encerrados há oito meses: uma crise sem retorno à vista

O setor da noite é um dos mais prejudicados desde o início da pandemia.

Bares e discotecas estão fechados desde março, sem qualquer ajuda ou previsão de abertura.

Alberto Cabral, é gerente do Grupo Andromeda, que engloba espaços de diversão noturna em Vila Real, Espinho, Santa Maria da Feira, Macedo de Cavaleiros e Chaves. Tem tentado dar a volta à situação mas diz-se, mais uma vez, de mãos atadas:

“Em Vila Real tentámos desenrascar-nos com uma esplanada durante o verão, mas foram apenas dois meses. Agora, estamos a tentar adaptar uma das nossas casas para café, de forma a tentar manter os empregados. Estávamos quase a abrir e o Governo veio reduzir os horários para as 10h da noite e cortou-nos mais uma vez as pernas. O investimento que tínhamos feito nesta casa é para deitar ao lixo, já não vai servir nem para agora nem para o futuro. Ainda por cima, agora com a proibição de abrirem aos fins de semana não faz qualquer sentido.”

 

Encerrados há oito meses, Alberto Cabral, que também faz parte da Associação de Discotecas e Bares Nacional, teme ter de começar a despedir funcionários:

“Temos que despedir, não há hipótese. Como é que se consegue viver oito meses sem salário? O setor da noite, desde o início da pandemia, foi o único que não contribuiu para que houvesse contágios. Estivemos encerrados, não somos culpados, e somos os mais prejudicados. Estamos impedidos de sustentar as nossas famílias. Não temos apoios, a única coisa que tivemos foi o lay-off que, na minha opinião, foi um presente envenenado. Temos 18 pessoas nesse regime, mas eu pergunto, como é que se consegue pagar TSU, impostos e salários sem uma única fonte de rendimento? Só temos um caminho que é ou despedir ou declarar insolvência.”

 

Um ramo que se diz esquecido pelo Governo e que continua sem ver a luz ao fundo do túnel.

 

Escrito por ONDA LIVRE