Caso Giovani: advogados de defesa não ficaram esclarecidos com declarações dos peritos

Caso Giovani: advogados de defesa não ficaram esclarecidos com declarações dos peritos

Na última sessão do julgamento do caso Giovani, ontem, foram ouvidos o médico que fez a autópsia ao jovem, assim como o inspector da Polícia Judiciária, que coordenou a investigação.

Américo Pereira, advogado de um dos arguidos, admite que esperava ouvir mais informações por parte do médico, de forma a perceber as causas da morte do jovem estudante cabo-verdiano:

“Eu estava com muita esperança que o perito que fez o relatório da autópsia esclarecesse algumas dúvidas. Sinceramente há aqui um problema que é cada vez mais evidente e que está a inquinar todo este trabalho. A autópsia diz que o Giovani só tem um único ferimento na cabeça. Acho que na investigação perdeu-se oportunidade de esclarecer como é que foi feito aquele ferimento.”

 

Américo Pereira também admite que da parte do inspector esperava mais declarações e lamenta que as imagens das câmaras de vigilância que há na Avenida Sá Carneiro não tenham sido analisadas.

Gil Balsemão, advogado de um outro arguido, também não compreende algumas questões, nomeadamente não se ter reconstituído o momento da queda ou tropeção que o jovem sofreu nas escadas de acesso à Avenida Sá Carneiro:

“O que acho relevante é a própria Polícia Judiciária ter conhecimento de uma queda e em nenhum dos autos foi feita a reconstituição dessa queda nas referidas escadas. Isso é no mínimo estranho, porque isso iria contribuir para a descoberta da verdade.”

 

Bruno Fará, constituinte de Gil Balsemão, havia prestado declarações na primeira sessão de julgamento. Contudo, anteontem, depois de todos os arguidos terem falado, pediu para esclarecer algumas questões, já que todos eles admitiram tê-lo visto com um pau. O advogado diz que o arguido apenas quis reforçar o que já tinha dito, não culpabilizando nenhum dos outros.

Ontem também foi ouvido o primeiro jovem que está entre os ofendidos. Gailson Mendes descreveu o desentendimento no bar de Bragança e disse que, a seguir, foram agredidos, na rua. Esclareceu que, quando se puseram em fuga, Giovani ficou para trás e quando se deram conta estava deitado no chão a ser agredido por cinco homens, a murro e pontapé, usando cintos e um pau. Disse ainda que o jovem não caiu nas escadas, apenas tropeçou.

As próximas sessões acontecem nos dias 15, 22 e 23 deste mês.

 

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia) 

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