Número de adoções de animais de companhia aumentou durante a pandemia

Número de adoções de animais de companhia aumentou durante a pandemia

O número de adoções de animais de estimação tem vindo a aumentar desde o início da pandemia de Covid-19.

Embora no primeiro confinamento os canis tenham fechado ao público, certo é que aquando da abertura, muitas foram as pessoas que optaram por arranjar uma companhia animal.

No ano de 2020, no centro de recolha oficial da Terra Quente Transmontana, registaram-se 169 adoções, sendo que por mês a taxa rondou os 20 animais. Números que, embora não sejam suficientes, são satisfatórios, considera Paulo Afonso, médico veterinário no centro:

“Houve um ligeiro aumento em relação a 2019. Embora no primeiro confinamento tenhamos suspendido o atendimento ao público, o que fez com que não houve adoções nesse período, embora conseguíssemos estabelecer alguns contactos via redes sociais, no sentido de avançar, assim que possível, com uma adoção. Isso correu muito bem, e houve bastantes adoções no mês de maio. Embora não seja o desejável, penso que são números satisfatórios.”

 

Uma procura acrescida que se pode justificar com a tentiva de combater o isolamento social. Embora gostos não se discutam, certo é que os cães continuam a ter mais procura que os gatos, embora Paulo Afonso, considere que se nota uma procura sazonal de ambas as espécies.

O que tem vindo também a aumentar é a preocupação com o estado de saúde do animal:

“As pessoas que adotam são sensibilizadas para os vários cuidados a ter e tentam sempre saber o estado de saúde, as vacinas administradas e desparasitações. Noto que essa preocupação tem aumentado, e ultimamente temos também feito um alerta acerca do cuidado oral do animal, como a escovagem dos dentes.” 

 

No entanto, todos estes cuidados requerem custos que, por vezes, muitas famílias não conseguem suportar. O veterinário refere que é sempre feito um trabalho de sensibilização com quem quer adotar relativamente aos cuidados e deveres que um processo de adoção implica.

E Paulo Afonso sublinha ainda que o número de animais errantes, devido muitas vezes ao abandono, é um dos problemas que continua a afetar a lotação do centro de recolha:

“Continuamos lotados, é algo que se faz sentir desde sempre. Os pedidos de recolhas ultrapassam sempre a capacidade de alojamento. Nesse sentido, os municípios que integram a Associação dos Municípios da Terra Quente Transmontana decidiram ampliar o Centro de Recolha e estamos em fase de conclusão de um novo canil e gatil, perto do atual. Vai dar uma maior resposta a esta problemática dos animais vadios, mas penso que continua a faltar uma grande fiscalização. Verificamos que há muita reprodução descontrolada, muitos animais com donos a circular nas vias públicas, não identificados. Faz falta algum tipo de sanção.”    

 

Atualmente, o centro de recolha oficial da Terra Quente Transmontana tem ao seu cuidado 96 animais, sendo que 20 são gatos e os restantes 76 são cães.

A adoção de animais por parte dos portugueses aumentou 32% com a pandemia, revela um estudo da plataforma Fixando, realizado com mais de 14 mil pessoas.

 

Escrito por ONDA LIVRE  

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