Comerciantes do Mercado Municipal de Macedo louvam as obras mas acham que já deveriam ter sido realocados

Estima-se que durante pelo menos um ano, o Mercado Municipal de Macedo de Cavaleiros e a zona envolvente estejam em obras.

Ao longo desse período, os comerciantes que têm estabelecimentos naquele espaço vão ser realocados e foram-lhes dadas duas opções: ou alugam uma outra loja na cidade, com isenção da renda que pagariam no mercado e ainda uma ajuda financeira, calculada com base na área da loja que ocupam no edifício intervencionado, ou são instalados em contentores, ficando livres de pagar pela ocupação do mesmo e da própria renda.

As escolhas dividiram-se mas os comerciantes parecem unânimes no que toca à data de saída do edifício, que na opinião da generalidade dos que ainda lá estão, já deveria ter acontecido, visto que as obras da envolvente já estão a decorrer e isso está a prejudicar o negócio:

“Piorou porque já vinha pouca gente ao mercado e agora, com estas obras, ainda vem menos.

A maior parte até conta que já tenhamos mudado. Vamos aguardar pelo menos até ao fim do mês.

Teria sido bom ter saído mais cedo, mas disseram que só iam abrir, para já, uma rua, e afinal já estão a rasgar tudo.

Acho que deveriam ter encontrado um local onde pudéssemos ficar todos mas não em contentores, porque agora no verão acho que vai ser muito quente.”

 

“Tenho tido sempre clientes mas afeta um pouco.

Acho que teria sido bom termos saído daqui há mais tempo.

Mas se depois vamos ficar melhor, temos de sofrer agora um pouco.”

 

“Obviamente que as pessoas assim não vêm.

Não se compreende que estejamos já praticamente cercados e quase já nem se entre no mercado. Falta sair muita gente, os contentores ainda não estão ao dispor, e daqui a nada não sairemos daqui. Temos coisas para levar e não sei se a camioneta ainda entra cá. A mudança já deveria ter acontecido.

As soluções encontradas, das lojas e dos contentores, parecem-me boas.”

 

“Já deveríamos ter saído porque agora as pessoas estão a contar que já nem estamos aqui, e não sabemos o que fazer.

As obras precisam de ser feitas mas acho que podiam ter esperado até ao fim de agosto, pois os emigrantes vão embora e ainda conseguíamos fazer algum negócio no verão.”

Quanto às obras, consideram que já faziam falta e esperam que depois de prontas consigam criar mais interesse pelo mercado:

“Acho que vai ser uma mais-valia, pelo menos para remodelar um pouco isto, para ver se fica mais bonito e atrai mais gente.”

 

“Completamente. Será importante também para ver se a cidade tem um pouco mais de movimento, pois estamos a ficar completamente parados.”

 

“Isto já devia ter sido feito há muitos anos pois o mercado está degradado. O que está pior é o chão e o telhado.

As pessoas também deixaram de vir porque o edifício não tem condições e foram procurar lugares melhores.

Embora depois das obras vá ficar mais atrativo, acho que os clientes já se desabituaram do mercado. É mais frequentado por pessoas que vêm de fora, lá de baixo e do estrangeiro, porque estão habituados.”

 

“É evidente que são obras importantes, sobretudo para mudar o telhado que ainda é em amianto.

Com certeza que depois será atrativo para mais pessoas e espero que tenhamos direito de voltar.”

Contactado, o vice-presidente da autarquia de Macedo, Rui Vilarinho, esclareceu que quem escolheu a opção de alugar uma loja pode sair quando quiser, à semelhança de outros que já o fizeram, e que apenas está privado disso no imediato quem optou pela opção dos contentores:

“Enquanto não houver obra no edifício do mercado propriamente dito podem estar lá. As obras da zona envolvente já começaram, vão perturbar as pessoas mas são os comerciantes que têm de avaliar se querem levar o tempo ao limite ou optar por sair para as lojas arrendadas. É opção deles e estamos aqui para os apoiar, sabendo que o faremos a partir do primeiro minuto em que se mudem para lá, desde que provem que têm um contrato de arrendamento.

A questão dos contentores está mais difícil porque o processo está a decorrer e, neste momento, estamos com dificuldades, embora tenhamos já uma empresa que os vai fornecer, mas demora sempre os seus dias, como é normal.

As obras são assim, causam sempre constrangimentos e transtornos, mas temos de ter paciência. Estamos a ter um cuidado extremo e a acelerar o processo o mais rápido possível, para garantir também o bem-estar de todos.”

Os contentores vão ficar instalados no parque de estacionamento na Rua Pereira Charula, junto ao futuro Parque Urbano.

Escrito por ONDA LIVRE

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