Nutricionistas vêem restrições alimentares nas escolas com “bons olhos”

Nutricionistas vêem restrições alimentares nas escolas com “bons olhos”

Bolos, pizas, batatas fritas e refrigerantes, são só alguns dos alimentos que os alunos já não vão encontrar este ano nos bufetes e nas máquinas de venda automática das escolas.

As recomendações às escolas já são dadas desde 2012 mas só agora, com um novo despacho do Governo sobre a alimentação saudável nas escolas públicas, as restrições se tornam efetivas.

No caso das escolas do agrupamento de Macedo de Cavaleiros, o diretor, Paulo Dias, avança que as recomendações já estavam a ser seguidas:

“A esmagadora maioria das situações nós já tínhamos adotado, ou seja, havia já um conjunto de artigos que não vendíamos na escola desde 2012, como doçarias, bolos com creme, bebidas açucaradas, etc.

Vamos limitar a questão dos folhados e de alguns chocolates. De resto, vamos permanecer como antes porque já atuávamos mediante as orientações.”

 

Eunice Rodrigues, nutricionista das equipas de Saúde Escolar dos concelhos de Macedo de Cavaleiros e de Torre de Moncorvo, fala de um passo importante mas que ainda não resolve tudo:

“Este trabalho já vem sendo desenvolvido desde há muitos anos. Quando falámos em recomendações, tivemos muitas escolas interessadas, mas há muitas que não querem saber. De 161 escolas que foram avaliadas, a nível nacional, só praticamente 1% é que tinha implementado as medidas. Quando se passa para lei são muito mais efetivas, mas a proibição é de a escola vender estes produtos, porque infelizmente, não há proibição destes alimentos circularam nas escolas. Os alunos podem continuar a levar nos seus lanches e consumi-los lá. Talvez devêssemos entrar na fase de proibição da circulação destes alimentos para haver alguma coerência.”

 

Além disso, a venda de alimentos mais prejudiciais à saúde ainda continua a ser permitida nos estabelecimentos nas imediações das escolas, o que pode facilitar o consumo.

Na opinião da nutricionista, o desincentivo à compra destes produtos deveria ser geral:

“Em temos de cafés, restaurantes e supermercados torna-se mais complicado. Existe esta legislação para bebidas alcoólicas, mas em termos de alimentos não existe. A facilidade que existe das crianças ou adolescentes saírem da escola é outra questão que deverá estar em cima da mesa. Seria bom que a venda destes alimentos fosse limitado em vários locais. Aumentar os preços perfaz uma redução no consumo de bebidas e alimentos açucarados, e verificou-se ainda que a indústria começou a fazer um esforço para reduzir os valores de açúcar naquelas bebidas.”

 

Apesar de a lei agora proibir definitivamente a venda destes alimentos, Eunice Rodrigues considera que isso já tem vindo a acontecer há algum tempo um pouco por todas as escolas públicas do distrito de Bragança:

“A nível de equipa de nutrição fizemos, há já algum tempo, o levantamento da oferta alimentar escolar e vimos como eram as ementas e o que estava disponível nos bufetes. Aí fizemos logo algumas orientações para tentar melhorar essa parte.
As próprias escolas também têm tido interesse em melhorar e tentar pôr estas ideias em prática. Pelo menos, relativamente ao nosso distrito, é essa a ideia que tenho.”

 

Apesar de todo o esforço para melhorar hábitos alimentares nos mais novos, a nutricionista confirma que os alimentos menos saudáveis ainda estão muito presentes nas ementas destas faixas etárias. Além do papel dos encarregados de educação, destaca a importância da saúde escolar, e dá como exemplo um projeto já implementado nas escolas do distrito de Bragança:

“A escolha tem sempre a ver com os encarregados de educação. Não se conseguem alterar hábitos em crianças e adolescentes se não houver colaboração.
Estes anos de pandemia tivemos de parar tudo mas já temos vontade de arrancar de novo. Falo de um projeto no pré-escolar, que se chama ‘traz montes de saúde’, em que acompanhamos as crianças durante todo o seu percurso de três anos e começamos por levar alimentos para eles conhecerem e explicar onde se inserem. Depois, encaixamos nas refeições e ensinamos a fazer refeições e lanches saudáveis.”

 

Novas regras que visam a promoção da saúde nas escolas já estão em vigor desde o início do mês mas não se aplicam a estabelecimentos escolares privados.

Entretanto as cantinas escolares começam a ser hoje a ser alvo de ações de fiscalização para controlo de quantidade e qualidade das refeições escolares.

Escrito por ONDA LIVRE

 

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