A seca e a falta de água fizeram atrasar a produção de castanha. Embora ainda seja cedo para tirar conclusões, os produtores já preveem quebras.
Carlos Moreira tem cerca de 80 hectares de soutos no Zoio, concelho de Bragança. Por ano, isso traduz-se, em média, em 50 toneladas de castanhas, mas nesta campanha espera quebras significativas:
“Se tiver metade já é muito bom. Há muitos que não vão dar 10% de produção. Estou à espera de uma quebra muito grande. Há soutos novos em que vai haver uma quebra muito grande. Se não chover, agora a produção vai ser muito ruim. Há poucos ouriços e os poucos que há não vão crescer. As castanha vai ser pequenina”.
A juntar-se à pouca produção estão ainda as doenças do castanheiro. Embora a vespa esteja mais “controlada” este ano, só no espaço de um ano, Carlos Moreira viu morrer mais de 400 castanheiros afetados pela doença da tinta:
“A tinta propagou-se muito este ano. Em anos secos mais desenvolve. Nestes dois ou três anos, na nossa aldeia, desenvolveu muito. Do ano passado para este, se calhar, morreram 400 castanheiros”.
Para evitar deixar de ter castanhas, todos os anos planta soutos novos, mas nem por isso consegue aumentar a produção:
“Secam-se uns e temos que plantar outros se não, daqui a dois ou três anos, não temos produção de castanha. Há mais de 20 anos que planto, todos os anos, para cima de 500 árvores. Era para aumentar e cada vez tenho menos produção. Planto muitos mas o que planto não chegam para os que morrem”.
A chuva que veio no início de setembro não foi suficiente, visto que as temperaturas continuam altas e a humidade é reduzida. Abel Pereira, presidente da Arbórea, Associação Agro-Florestal e Ambiental da Terra Fria Transmontana, admite que este ano pode haver castanhadas com bicho:
“Temos um problema que não tivemos no ano passado que é um problema de fungos, porque tivemos humidade a mais. Este ano podemos ter castanha bichada e rachada, que também é um problema de mercado, porque toma podridões e o mercado não aceita”.
Há castanheiros em que a chuva pode já não ser solução.
“Se for de stress podem não recuperar. Se a folha estiver amarelada não recuperam. Se a folha estiver côncava, por causa do calor, é uma situação temporária”.
Segundo Abel Pereira, já deviam estar prontas as variedades temporãs e ainda estamos nas variedades híbridas e só no final do mês é que estarão prontas as castanhas das variedades tardias.
Quanto ao preço da castanha, será Itália a determiná-lo, visto que é o “maior produtor” europeu de castanha” e “domina” na transformação do fruto.
INFORMAÇÃO CIR (Rádio Brigantia)