Os efeitos da inflação parecem ser, sem surpresas, as principais queixas dos comerciantes transmontanos.
Isso mesmo têm confirmado os deputados do PCP no Parlamento Europeu, Sandra Pereira e João Pimenta Lopes, que estão a fazer um périplo pelo país com o lema “Contigo todos os dias – A tua Voz no Parlamento Europeu”.
Depois de passarem pelo distrito de Vila Real na quarta-feira, estiveram ontem de manhã e Mirandela e depois, à tarde, visitaram alguns comerciantes em Macedo de Cavaleiros.
A falta de dinheiro, seja pelos salários, pela inflação ou pela perda de poder de compra é, no geral, o principal problema relatado, dá a saber João Pimenta Lopes:
“O empobrecimento geral da população, as carteiras cada vez mais vazias, que não possibilitam já o poder aquisitivo, que há poucos meses atrás, mal ou bem, ainda permitiam, num quadro de dificuldades.
Os baixos salários, pessoas há 30 anos a trabalhar nas câmaras municipais, em fábricas e empresas que estão hoje, na prática, a ganhar menos, proporcionalmente, do que quando começaram as suas carreiras, já para não falar da ausência de perspetiva de progressão, nomeadamente na administração local.
As baixas pensões, algumas de miséria, com que as pessoas são confrontadas, e o desalento e rejeição destas medidas paliativas que o Governo tem vindo a adotar mas que as pessoas compreendem que não resolvem os problemas.”
Mas estes não são os únicos problemas.
Em Trás-os-Montes, onde os parlamentares resolveram começar este inquérito pelo país, há fragilidades específicas e identificadas. João Pimenta Lopes aponta algumas:
“Há um evidente abandono do interior, falta de investimento, nomeadamente nos setores produtivos, assim como nos serviços públicos, que são condição essencial para a fixação de população.
Não é possível continuar a trabalhar as terras e a produzir, com o potencial imenso que esta região também tem, se não houver um investimento direcionado para a fixação das pessoas, valorização da pequena e média produção agrícola. Os preços dos adubos e da alimentação para o gado aumentou, às vezes, mais do que o dobro no espaço de um ano.
Estes problemas não começaram em fevereiro deste ano, alguns deles já vinham crescendo desde o ano passado, e exigem medidas para contrariar, não só o abandono e isolamento, mas também a questão da fuga das gentes destas terras, que não encontram aqui as condições para se fixarem. Temos ainda a questão dos transportes públicos que é inevitável.”
Depois de ouvidas as populações de todos os distritos, os deputados querem reforçar a intervenção junto do Parlamento Europeu e assim poderem avançar com propostas concretas, com base nos problemas que afligem os portugueses:
“Certamente que levaremos daqui elementos para questionamentos à Comissão Europeia sobre fundos que possam ser mobilizados para investimentos, apoios, para respostas que são necessárias dar do ponto de vista social, para assim podemos ter uma intervenção junto do próprio orçamento da União Europeia.
Seria possível mobilizar apoios no âmbito da política agrícola comum para alavancar a produção nacional, nomeadamente na dimensão agrícola, mas também outros na dimensão de apoios às pequenas e médias empresas e à própria produção industrial.
Muitas vezes é através de propostas de alteração ao orçamento da União Europeia, como já temos feito e vamos continuara fazer no futuro, que poderemos refinar, tendo em conta estes contactos que estamos a fazer, que depois já não dependem de nós se são aprovadas ou não, mas que contribuiriam para, pelo menos, mitigar os impactos de situações como esta que estamos a viver.”
O périplo continua e vai percorrer o país. Esta sexta-feira os dois deputados vão estar em Bragança, para ouvir os trabalhadores da Faurecia.
Escrito por ONDA LIVRE

