Chegou ao concelho de Mirandela a Xylella fastidiosa, uma bactéria altamente destruidora que afeta várias culturas agrícolas, mas que ainda não há tratamento.
A presença da bactéria foi laboratorialmente confirmada numa amostra de oliveira, colhida na freguesia de Alvites, o que levou a DGAV – Direção-Geral de Alimentação e Veterinária – a emitir um despacho a determinar o estabelecimento de uma zona demarcada para Xylella fastidiosa, que abrange freguesias de Mirandela e Macedo de Cavaleiros, bem como as medidas que devem ser aplicadas para a erradicação da bactéria.
O despacho já foi emitido no dia 21 de novembro, a DGAV estabelece como zona de quarentena a freguesia de Alvites, onde foi detetada a presença da bactéria, mas também uma zona tampão que abrange parte das freguesias de Mascarenhas, Múrias e a União de Freguesias de Avantos e Romeu, no concelho de Mirandela, e ainda Ala e Vilarinho do Monte, já no concelho de Macedo de Cavaleiros.
A bactéria Xylella fastidiosa está classificada como organismo de quarentena, transmite-se de árvore em árvore através de insectos. Quando atinge a planta, a bactéria começa por colonizar a madeira, depois espalha-se pela árvore e acaba por entupir o seu sistema de circulação de fluidos. No caso das oliveiras, as plantas acabam mesmo por murchar desde a raiz até à copa.
Ainda não há tratamento, pelo que a única forma de parar a evolução da doença é o abate das árvores infetadas ou evitar a contaminação através do diagnóstico precoce.
O perigo está identificado desde 2013, quando a bactéria dizimou os olivais em Apúlia, no sul de Itália, levando ao abate de milhões de árvores. Nos últimos anos, este agente infecioso saltou fronteiras para os restantes países europeus – Portugal incluído – onde a Xylella fastidiosa foi detetada, pela primeira vez, em Janeiro de 2019 em Vila Nova de Gaia, em plantas ornamentais, como a lavanda.
Nesse sentido, a Comissão Europeia, a partir de 2014, estabeleceu medidas de emergência visando impedir a introdução e propagação da bactéria.
Confrontada com este assunto, a diretora Regional de Agricultura e Pescas do Norte não quis prestar declarações, alegando Carla Alves que a DRAPN apenas faz a execução do plano que a DGAV, entidade coordenadora nacional, elaborou e que está disponível no despacho de 21 de novembro.
Quanto às associações do setor, da parte da AOTAD (Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro), o presidente da direção, Paulo Ribeiro, adianta que só tomou conhecimento desse despacho, esta terça-feira e que o assunto vai ser discutido, nos próximos dias em reunião de direção.
Entretanto, Francisco Pavão, presidente da APPITAD – Associação de Produtores de proteção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro – explica que o caso está ser seguido de acordo com o plano de contenção e monitorização da DGAV
“A vegetação que esteja nos 50 metros à volta do foco da bactéria será eliminada.
Neste momento temos de estar atentos e monitorizar. Foi isso que sugerimos à direção regional e estamos disponíveis para colaborar com as entidades nesta monitorização, não havendo mais nada a fazer além disso. Neste momento as medidas são de contenção e é isso que se está a fazer.A zona tampão abrange outras freguesias, num raio de 2,5 km, apanhando dois concelhos.Mas não há aqui questões de saúde humana envolvidas, aconteceu em oliveira mas há mais de 300 plantas que podem ser hospedeiras.”
Apesar de admitir que o caso preocupa, Francisco Pavão considera que não há razão para alarme
“É uma grande preocupação que temos mas é necessário ir acompanhando e monitorizando a evolução disto.
Não há necessidade de alarmismos mas sim de precaução, por parte dos olivicultores dessa zona, e as medidas da DGAV esclarecem sobre isso.”
Preocupado, mas sem razão para alarme, é a reacção da presidente da APPITAD ao facto de ter sido detetada a bactéria Xylella fastidiosa no concelho de Mirandela, mais concretamente na freguesia de Alvites.
INFORMAÇÃO CIR (Terra Quente FM)

