Bazuca deixa de fora reabilitação da antiga residência de estudantes de Macedo de Cavaleiros

Mais de 164 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) vão ser destinados à criação de 6400 camas para estudantes do ensino superior do Norte do país. Destas, 4440 serão novas camas e 2012 reabilitadas em residências universitárias.

Para alunos do Instituto Politécnico de Bragança serão 502 camas, divididas entre Bragança, Mirandela e Chaves. Já em Vila Real, foram aprovadas cinco candidaturas da UTAD, que equivalem de 1146 camas, das quais 567 serão novas.

Ainda não foi desta que a reabilitação da antiga residência de estudantes de Macedo de Cavaleiros, que em 2019 foi mapeada pelo Governo no âmbito do Plano Nacional de Alojamento Estudantil, foi contemplada. De acordo com o autarca macedense, Benjamim Rodrigues, a empreitada não era elegível neste aviso do PRR mas está já a ser trabalhada uma solução:

“Macedo de Cavaleiros não poderia ser contemplado pois não se enquadra nestas residências estudantis por não ter ensino superior.

Enquanto município vamos procurar uma solução junto da secretaria de Estado da Habitação para reabilitar o edifício. Penso que vamos conseguir. Depois teremos de adequar às medidas que forem necessárias, uma vez que temos grande défice de alojamento para estudantes.

Temos de marcar uma reunião com a secretária de Estado, com quem já reuni mas vou marcar outro encontro, para criarmos uma solução.”

Benjamim Rodrigues revela que tem vindo a diminuir o número de alunos do Instituto Politécnico de Bragança alojados em Macedo:

“Diminuíram francamente.

Penso ainda haver um ou outro a habitar cá mas tem havido uma grande variação da residência deles.

Vão criando soluções para ficarem mais próximos do local onde frequentam as aulas, nomeadamente Mirandela e Bragança. Temos tido acordos em que ajudamos a encontrar alojamento para alunos dos PALOP. Temos tido comunidades da Guiné e São Tomé e Príncipe.”

Já a concelhia do PSD de Macedo de Cavaleiros considera que a demora em reabilitar a antiga residência de estudantes é justificada pela falta de atratividade dos cursos que o IPB destina ao polo de Macedo, refere o presidente da estrutura política, José Madalena:

“Os cursos que Macedo de Cavaleiros tem tentado lançar não têm tido adesão. Se o IPB não alocar cursos que sejam atrativos e capazes de atrair jovens para a sua frequência, a consequência é que não havendo interessados, não há camas.

Temos de sair deste ciclo vicioso, não entendo porque é que a câmara não consegue que o IPB coloque aqui cursos atrativos. Tudo isto está ligado e uma coisa arrasta a outra.
Penso que Macedo de Cavaleiros sempre teve a pretensão de ser uma espécie de cidade dormitório em que mesmo os estudantes de Bragança para cá viessem. Nestas circunstâncias não se torna minimamente atrativo.”

Na opinião de José Madalena, a autarquia não deveria deixar escapar as oportunidades trazidas pelo PRR para tentar reabilitar aquele edifício no centro da cidade, há anos degradado:

“Se não se aproveitar esta oportunidade do PRR para fazer a recuperação daquele edifício, depois não será fácil, no futuro, haver nova oportunidade.

A câmara deve tentar, por todos os meios, recuperar este edifício.
Penso que possibilidade haverá sempre mas depende da vontade política e dos decisores para que Macedo de Cavaleiros seja contemplada.
A câmara deve continuar a procurar e trabalhar para que isso aconteça.
É uma grande desilusão que uma promessa eleitoral, sublinhada várias vezes ao longo do mandato passado, com a presença do ministro, não tenha dado em nada.”

A reabilitação da antiga residência de estudantes de Macedo de Cavaleiros, que iria permitir criar 79 camas, continua a aguardar uma solução, que ainda não vai passar por este recente aviso do PRR, que vai permitir criar 6400 camas universitárias no Norte do país.

Escrito por ONDA LIVRE