Professores juntaram-se em protesto esta quarta-feira em Macedo de Cavaleiros

Os professores continuam a manifestar-se por todo o país, naquela que decretaram como Semana de Luto e Luta.

Em causa continuam as mesmas reivindicações que os têm movido ao longo dos continuados protestos e paralisações, melhores condições laborais e dignidade na carreira.

Esta manhã vários professores juntaram-se na entrada do Polo 1 do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros e prometem não desistir até que haja respeito e dignidade para a classe docente, confirma a professora Zita Regente, da FENPROF:

“Queremos respeito e dignidade pela nossa carreira de docente, temos muitos anos em espera, seis anos, seis meses e 23 dias, temos as quotas que impedem muitos professores de aceder aos respetivos escalões, há professores que estão há demasiados anos à espera, com excelentes notas e são obrigados a descê-las para conseguirem acederem a um escalão.

O professorado não é atrativo devido a múltiplos fatores, a distância da família, amigos e conjugues não é, de todo, fácil e preocupa-nos pelas rendas elevadíssimas se tivermos de nos deslocar.

Relativamente aos alunos nota-se que têm muita dificuldade de concentração, que há falta de conhecimento, muito por causa da pandemia, já para não falar da indisciplina.

Há necessidade de mudança e de melhores condições num setor fundamental para uma sociedade tolerante, democrática e plural.”

As negociações entre sindicatos e Governo retomam esta quarta-feira mas a professora Lisa Guimarães, também representante da FENPROF, adianta que os documentos só ontem à tarde foram enviados aos sindicatos. Sentem-se desprezados pelo Ministério da Educação:

“Já desde a semana passada, da grande manifestação em Lisboa, que se sabia que hoje o ministério ia entrar em reuniões de negociação com os vários sindicatos e foi a menos de 24h do início dessa reunião, ou seja, ontem à tarde, que enviou os documentos aos sindicatos.

De facto, a escola está doente e está em cuidados paliativos. Se não tomarmos medidas urgentes, creio que a escola pública e de qualidade acabará por morrer porque ninguém quer cuidar dela, principalmente quem está no Ministério da Educação.”

A imposição de respeitar os serviços mínimos durante a greve que decorre por tempo indeterminado é vista pelos professores como mais um direito tirado pelo Governo:

“Acho que nos tiram um pouco o direito à greve e que é uma medida demasiado forte que não entendemos, de forma alguma. Ter de vir para a escola num dia em que teríamos a liberdade de aderir a uma greve é tirar-nos os poucos direitos que temos.”

E a Semana de Luto e Luta não se fica por este protesto e há já duas grandes manifestações marcadas para o Porto e Lisboa no início do próximo mês:

“Na próxima quinta-feira, às 15h, há outra vez negociações e se não resultarem em nada não vamos abdicar dos nossos direitos. Até podem nos dar o tempo de serviço faseado, o que nos roubaram, mas não abdicaremos de mais nada.

Vai haver duas grandes manifestações, do Centro para o Norte do país no dia 2, e do Centro para Sul no dia 3. Nesses dois dias, parte da região Norte e do Centro vai reunir-se no Porto e no dia 3, parte do Centro e do Sul vai juntar-se em Lisboa.

Prevemos que serão duas grandes manifestações.”

Por todo o país, professores reuniram-se esta quarta-feira em protesto nos portões das escolas.

Na sexta-feira, os sindicatos voltarão a reunir com o Ministério da Educação para  mais uma ronda de negociações.

Escrito por ONDA LIVRE