Os problemas com a falta de habitação e especulação imobiliária não são só uma realidade do litoral.
Em Macedo de Cavaleiros, o presidente da Câmara Municipal, Benjamim Rodrigues, diz que a falta de alojamento está a criar dificuldades para captar novas famílias, necessárias para o concelho:
“Neste momento temos problemas graves, um deles é o alojamento de estudantes dos PALOP, temos também algumas dificuldades com famílias supranumerárias, outras com baixos rendimentos e ainda com as comunidades migrantes que muitas vezes desconhecemos de que forma estão alojados, sabendo apenas que em determinados apartamentos entra muita gente e neste momento com a dificuldade que há de oferta de habitação, acaba por ser um problema duplo.
Temos nós dificuldade em captar e atrair jovens famílias, para termos oferta de mão-de-obra para alimentar novas empresas e, ao mesmo tempo, aquelas que estão em situação precária.
A habitação social não é suficiente, não tínhamos grandes dificuldades até há alguns anos no alojamento dessas pessoas em situação precária mas neste momento começa a escassear.”
“Com essas soluções podemos resolver casos.
Dou como exemplo a residência de estudantes que temos abandonada, em estado de degradação, já teve várias soluções possíveis mas neste momento está parado.
É um imóvel que é do Estado, vai ser uma situação específica sobre a qual vamos abordar a Ministra, mas vamos criar uma solução para um contrato de comodato, e depois de estarmos na posse do edifício, candidatarmos a um dos programas existentes, sendo que o ideal seria um financiamento a 100%.
Não vou dizer que será, por exemplo, uma habitação para jovens a custo controlado, pois isso obrigava-nos a refazer completamente o edifício, que já chegou a ter 70 lugares, mas talvez criar ali uma situação de alojamento de urgência, é uma situação possível.
Depois temos outros edifícios devolutos do Estado para os quais também vamos tentar criar soluções.
E temos sempre o programa Primeiro Direito.”
“Esta crise de habitação existe também aqui no distrito de Bragança.Há candidaturas aprovadas para residências de estudantes em Bragança, Mirandela e Chaves, o que significa que os estudantes, desse ponto de vista, não irão competir tanto no mercado de arrendamento.
Outro fator é a questão dos imigrantes, que cada vez são mais e muitas vezes estão a viver em situação muito precária. Alguns, como têm dificuldade em arrendar casa, entram numa situação de sobrelotação das habitações que conseguem arrendar.
Também os jovens têm dificuldade em encontrar uma renda e uma casa que sejam compatíveis com os rendimentos que têm.”
“A primeira resposta também é da responsabilidade das Câmara Municipais e falo do programa Primeiro Direito, que vai permitir reabilitar habitações para arrendar a pessoas carenciadas.
Temos de ter um parque público de habitação muito mais robusto.
Temos uma série de medidas para apoiar os particulares, que já existem mas que provavelmente serão reforçadas neste novo pacote Mais Habitação para arrendamento a custos controlados, uma série de incentivos fiscais, a redução de IVA, etc, para particulares que queriam reabilitar ou contruir para arrendamentos a custos controlados para jovens.
A tal especulação no mercado imobiliário tem a ver com o facto de muita gente comprar casas para as deixar valorizar e voltar a vender, sem qualquer investimento.
Esse é o tal problema de casas devolutas que tem a ver com a especulação.”


