Empresa que viu carne ser apreendida pela ASAE, em Morais, tinha suspendido a atividade há duas semanas

A ASAE anunciou este sábado, em comunicado, que suspendeu a atividade de uma fábrica de enchidos e apreendeu mais de três toneladas de produtos de origem animal, por se encontrarem impróprios para consumo no distrito de Bragança.

A fábrica está instalada na aldeia de Morais, no concelho de Macedo de Cavaleiros, mas afinal há uma explicação para o sucedido.

Filipe Teles, que é funcionário da empresa e dono das instalações onde esta opera, esclarece que aquando da visita da ASAE, que aconteceu no dia 30 de março, a própria empresa já tinha suspendido a atividade há duas semanas, por questões burocráticas:

“Devido a um pedido de informação que fizemos a uma empresa externa de prestação de serviços, tivemos conhecimento no dia 10 de março que existia um problema ao nível de um documento, que se chama Número de Controlo Veterinário, que todas as instalações têm de ter e que nós também tínhamos mas, ainda não sabemos porquê, o nosso aparecia como suspenso na plataforma um.

No dia 14 parámos completamente a produção, fechámos a loja online e as redes socias para que as pessoas não nos pudessem contactar para pedir produtos e, além disso, fizemos uma circular para todos os clientes, dizendo que existia um problema a nível de rotulagem, pedindo para que fosse feita a recolha do produto para posteriormente podermos fazer nota de crédito e passar a fornecer novos produtos quando a situação estivesse alterada.”

Na nota publicada, a ASAE informa que foi determinada a “destruição integral dos produtos apreendidos” por serem “considerados anormais avariados, com falta de rastreabilidade e de requisitos, e pelo facto de apresentarem grandes quantidades de bolores, desidratação, coloração anormal, presença cristais de gelo na sua superfície, rancificação e sinais de putrefação.”

Filipe Teles esclarece que os produtos que se encontravam nas instalações já não seriam para consumo e que alguns deixaram de estar em condições devido à paragem da atividade:

“Desse dia em diante não voltámos a trabalhar porque não o podíamos fazer naquelas condições e os enchidos que ficaram na sala de secagem ganharam bolores típicos de carne que não está devidamente seca e nem está embalada. Todo o produto embalado estava em perfeitas condições, embora sem licença ativa.

Tivemos a visita da ASAE no dia 30 de março, fizeram a devida notificação e pediram para que não continuássemos a produzir enquanto não estivesse regularizada a situação do documento em questão e, por outro lado, aconselharam-nos a fazer alterações no layout da empresa.

Fizemos o que nos foi pedido para fazer, não pondo em risco a saúde pública de ninguém e o produto foi retirado de venda a tempo.”

Quanto à putrefação referida na nota da ASAE, Filipe Teles esclarecesse que se tratava de produto não conforme, que tal como mandam as normas, aguardava a devida recolha por parte de empresa credenciada para o efeito, para ser destruído:

“São produtos que, por exemplo, pomos num ponto de venda, num cliente, e acontece que perde o vácuo, porque toca numa superfície perfurante, ou perde o rótulo. Ou seja, são produtos que não podem estar à venda nas condições em que se encontram e são devolvidos.

Nós temos de os armazenar, em sítio identificado e separado do local onde se encontram os restantes, e identificá-los como produtos não conforme, que seguem para eliminação.

Não os podemos eliminar colocando no contentor, pois aí estaríamos a incorrer num sério problema de saúde pública. Têm de ser eliminados por empresas que existem especificamente para esse efeito. 

Não existem empresas dessas na nossa região e só vêm fazer recolhas quando existem produtos em quantidade suficiente.”

Por enquanto, a atividade desta empresa de enchidos, que opera em Morais, continua parada, até que a suspensão do Número de Controlo Veterinário esteja resolvida, voltando depois ao ativo.

Escrito por ONDA LIVRE