Em 2025, deve estar pronto um plano de ação estratégico para a preservação da apicultura

Em 2025, deve estar pronto um plano de ação estratégico para a preservação das abelhas e da apicultura valorizando o seu contributo para a sustentabilidade e resiliência das regiões.

Vai incidir na renaturalização dos territórios, na modernização da atividade apícola, no reconhecimento e valorização da genuinidade dos Méis com DOP nacionais e na criação de uma Bolsa de Polinização Apícola.

É esse o objetivo do projeto BeeLand – Apicultura e Polinização: Impacto na Biodiversidade e Sustentabilidade dos Territórios – apresentado, esta segunda-feira, em Mirandela, que envolve 16 parceiros do sistema científico nacional, organizações de apicultores e pequenas e médias empresas.

O Projeto tem previsto um investimento de um milhão de euros, para diversas ações programadas até 2025, que será financiado pelo Programa de Recuperação e Resiliência.

Estudar o setor da apicultura bem como as mudanças provocadas pelas alterações climáticas e pelos incêndios, e procurar soluções para as novas realidades, nomeadamente ao nível dos méis portugueses com Denominação de Origem Protegida, são alguns dos objetivos do projeto Beeland, como adianta Cristophe Espírito Santo, representante do Centro Nacional de Competências da Apicultura e Biodiversidade, entidade que lidera o projeto em parceria com mais 15 entidades.

“É apoiar o setor apícula, dar-lhes uma certa inovação do setor, dinamizá-lo, através de regenerar  áreas ardidas… De atualizar os cadernos de encargos das DOP`S, de termos a parte digital como plataformas online que serviam de repositor de trabalhos científicos. São casos concretos reais do efeito das abelhas, que vão acontecer no projeto. Isto tudo é para ajudar as pessoas percebam o que o serviço ao ecossistema que neste caso é polinização, que é tão importante para o setor agroalimentar.”

Cristophe Espírito Santo sublinha a importância da necessidade de atualizar os cadernos de encargos das Denominações de Origem Protegida, já que Portugal tem nove regiões DOP onde o mel produzido, mas obedece a uma série de regras definidas há três décadas que não se adequam aos tempos atuais e muitos apicultores não conseguem cumprir os requisitos. Resultado, o mel certificado tem vindo a sofrer uma enorme queda, passando de 450 mil quilos, em 2010, para apenas 15 mil quilos em 2020, em contraciclo com a produção de mel que aumentou até 2019.

“Se um apicultor produz um mel que não consegue cumprir o caderno de encargos, ele não pode ser colocada de origem protegida, DOP, e a culpa não é do apicultor… é mesmo do território ter alterado. Se lhe passou um incêndio e agora tem: giestas, ou acacias, ou eucaliptos, que não era típico de lá, é normal que o mel vá ter diferenças, porque o pólen vai ser diferente. Para o apicultor valorizar o seu produto, utiliza as DOP´S, traz uma mais-valia, o mel acaba por ser vendido mais caro e o consumidor sabe que está a comprar daquela zona. No entanto, com esta alteração, o apicultor não consegue cumprir  o caderno de encargos, é penalizado.”

Para Manuel Gonçalves, presidente da Federação Nacional de Apicultores de Portugal, também parceira do projeto, este plano de ação faz todo o sentido:

“No final deste projeto queremos saber. Primeiro: as regiões DOP, a caracterização dessas regiões se mantêm igual, ou se houve alteração por causa dos incêndios, porque há plantas que desaparecem e há outras que ficam. Segundo: crescer na comercialização nos meio DOP, ou seja, que os produtores consigam pelo menos 50% da sua produção das zonas DOP, seja vendido em locais onde tenham uma mais-valia sobre isso. Depois criar bolsa de produtores para responder à muita procura que estamos a ter com as empresas de polinização.”

O projeto prevê ainda a instalação de campos experimentais no polo de inovação da Direção Regional de Agricultura, na Quinta do Valongo, em Mirandela, para regenerar áreas incultiváveis com espécies autóctones, como por exemplo, rosmaninho, urze, para aumentar os efetivos de abelhas e ajudar a polinização desta área.

O projeto Beeland foi apresentado em Mirandela, esta segunda-feira. Até 2025, estão previstas várias ações que vão culminar na elaboração de um plano de ação estratégico para a preservação das abelhas e da apicultura valorizando o seu contributo para a sustentabilidade e resiliência das regiões. Um projeto que envolve 16 parceiros com um investimento de um milhão de euros, comparticipado pelo PRR.

Foto: Município de Mirandela

INFORMAÇÃO CIR (Terra Quente FM)