Mais recente livro do ex-autarca brigantino Jorge Nunes reforça a necessidade da ferrovia para Trás-os-Montes

Numa altura em que o Plano Ferroviário Nacional está na ordem do dia, é preciso recordar os erros do passado para que não se repitam no futuro.

Esse é um dos objetivos do livro “Ferrovia em Trás-os-Montes – Memória do Passado, Luta do Presente”, da autoria de António Jorge Nunes.
O ex-autarca brigantino diz que é importante que a região transmontana continue a marcar uma posição reivindicativa no que à ferrovia diz respeito, para que não continue a ficar para trás em relação ao resto do país:

” Trás-os-Montes que está, há cerca de três décadas, excluída do mapa ferroviário, foi a última província a poder aceder à viação acelerada, em substituição da tração animal. Nesta fase deve ter uma luta afirmativa, reivindicativa e objetiva para que a nova ligação ferroviária seja incluída, por razões de estruturação do território, de competitividade, coesão, combate às assimetrias territoriais, no sentido de a região não continuar a ficar para trás. Trás-os-Montes está para trás relativamente ao resto do país porque não tem acesso à ferrovia, mas não é justificável manter esta situação de discriminação negativa para Trás-os-Montes.”

Neste livro, António Jorge Nunes faz também uma proposta de ferrovia para Trás-os-Montes, que incluiu a ligação Vila Franca das Naves – Pocinho – Macedo de Cavaleiros:

“Dá-se destaque à ligação do Porto- Vila Real- Bragança- Zamora, mas eu acho que a linha do Corgo tem que ser requalificada. O troço da linha do Douro- Pocinho- Barca D´Alva está encerrado desde 1988, portanto, é preciso que essa linha seja reaberta, eletrificada e modernizada. Eu acho que é essencial equacionar, na perspetiva de futuro, uma ligação ferroviária Vila Franca das Naves- Pocinho- Macedo de Cavaleiros, ligando este corredor de alta velocidade transmontano ao corredor da Beira Alta. Isso deveria ser uma proposta a integrar no plano ferroviário.”

O livro foi apresentado em Macedo de Cavaleiros, cujo autarca, Benjamim Rodrigues, espera que contribua para discussão de um plano que, a concretizar-se, terá um peso importante no desenvolvimento do concelho e da região:

” O desenvolvimento de Macedo de Cavaleiros está muito ligado à ferrovia. Acaba por trazer à discussão um tema pelo qual nós sempre lutámos, nem que fosse a bitola estreita que existia, gostaríamos de a manter.

Neste momento a proposta é para termos uma via normal, talvez de alta velocidade, com ligação ao AVE espanhol e, dessa forma, estaríamos muito mais próximos da Europa. Para nós era importante porque são os turistas que nos visitam, as mercadorias teriam um corredor de alta velocidade para serem exportadas em tempo útil, o que daria alguma complementaridade e mais visibilidade ao nosso território. Teríamos a estação da Godinha, que é aquilo pelo que temos lutado constantemente, onde está uma plataforma logística de alta relevância nas portas da Galiza. Isso seria mais um motivo para termos mais fatores de desenvolvimento.” 

O livro “Ferrovia em Trás-os-Montes – Memória do Passado, Luta do Presente” vai ser apresentado em várias localidades transmontanas e em outras zonas do país que já o solicitaram.
António Jorge Nunes vai atribuir os valores arrecadados com os diretos de autor a uma instituição social, ainda por revelar.
Escrito por ONDA LIVRE
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