Foi convocada pelo Sindicato Independente dos Médico (SIM) e pretende exigir propostas concretas do Governo nas negociações sobre a valorização da carreira e o aumento salarial.
Bela Alice Costa, dirigente sindical do SIM, lembra que há 15 meses que decorre uma negociação sem fim à vista com o Governo, numa altura em que se assiste a uma grande saída de médicos do Serviço Nacional de Saúde:
“O Sindicato Independente dos Médicos iniciou um processo negocial com o atual Governo há 15 meses. Foi um processo conduzido com toda a seriedade por parte do sindicato, nunca abandonámos as várias mesas negociais. Contudo, decorrido este tempo, sentimos que chegou um momento limite.
O Governo de Costa está doente e essa doença é manifesta no setor da saúde. Verificamos que há uma saída quase histórica dos médicos do SNS, por rescisão, por falta de condições. Essa saída dos médicos tem um grande impacto ao nível da prestação de cuidados. São recorrentes as notícias de serviços de urgência a encerrarem por carência e do aumento das listas de espera. Existe atualmente mais de um milhão e seiscentos portugueses sem acesso a médico de família.
A greve é apenas o culminar do cansaço de um processo negocial sem propostas concretas por parte do Governo e os médicos chegaram a uma altura que tem de dizer basta e precisam de mais dignidade na sua careira.”
Bela Alice ressalva que os médicos portugueses foram os únicos da OCDE que não tiveram aumento salarial nos últimos 10 anos e pede dignidade para a classe:
“É preciso investir, sem rodeios. Este governo tem um aumento da carga fiscal que se reveste, por exemplo, em cerca de 172 milhões de euros que são investidos em prestadores de serviços, ao invés de investir na fixação dos médicos no SNS.
Há um aumento da carga fiscal e isso não se verifica depois nas condições de acesso básico à saúde e nas condições para os profissionais de saúde conseguirem trabalhar no SNS. Aquilo que pedimos é apenas dignidade, um aumento digno, um reajuste da carreira médica e das tabelas salariais, conforme o que é a responsabilidade da carreira médica.”
A greve geral de três dias é acompanhada por uma greve às horas extraordinárias até ao dia 22 de agosto.
A dirigente sindical garante que se não houver resposta por parte do Governo, novas formas de luta serão encetadas.
“A greve vai durar durante estes três dias. Paralelamente, existe também uma greve, que dura de 24 de julho a 22 de agosto, a todas as horas extra dos cuidados de saúde primários e certamente que mais formas de manifestação irão ocorrer se não tivermos reposta por parte do Governo.
Durante o período da pandemia, os médicos vestiram a camisola e deram tudo o que tinham e muitas vezes o que não tinham. Agora é preciso voltar a olhar para os médicos com o respeito e a dignidade que eles merecem e é preciso compreender que nós não somos super-heróis, por muito que vistamos essa capa, necessitamos de condições para poder trabalhar no setor público.”
Uma greve geral de três dias que vai ter consequências para os utentes com a adiamento de consultas e cirurgias em todas as unidades de saúde do país.
INFORMAÇÃO CIR (Universidade FM)

