Há um aumento de 20%, este ano, na produção de uva, na região

Francisco Pavão, presidente da Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes, diz ainda que a qualidade da uva é boa.

“Estamos numa fase muito incipiente da campanha, mas daquilo que nos é dado a conhecer é que a qualidade da uva é extraordinária. Há mais produção, a rondar um aumento de 20%. As cooperativas ainda não estão todas abertas, por isso ainda é muito cedo para avançar números. Ainda é cedo para avançar com números exatos.”

No concelho de Mirandela, muitos viticultores começaram os trabalhos ainda em Agosto pois as uvas já estavam em bom estado. Vítor Lopes, da freguesia de Aguieiras, como não reside na aldeia natal, aproveitou as férias, ainda no mês passado para cortar as uvas, considerando este “um excelente ano de produção”.

“A colheita do ano anterior foi bastante inferior. Este ano houve mais. Mesmo assim, foi muito difícil controlar a parte sanitária das uvas devido às temperaturas muito altas. Choveu bastante no mês de junho, o que complicou um pouco o controlo, mas no geral estou satisfeito com os números”.

Um dos principais desafios para os agricultores da região é a falta de mão-de-obra. Vítor Lopes diz que este é um trabalho que exige muita gente em simultâneo a trabalhar.

“A situação tem piorado de ano para ano. Não é só para a vinha que é difícil arranjar pessoal. A vindima exige muita mão-de-obra em simultâneo para se conseguir vindimar num curto espaço de tempo. Cada vez nos debatemos mais com a questão da falta de pessoas na região e quando chega o trabalho isso ainda é mais visível”.

Outra preocupação de Vítor Lopes é o cenário económico complexo em Trás-os-Montes em comparação com outras regiões vitivinícolas, nomeadamente o Douro.

Em Vale de Salgueiro, Leandro Garcia, com uma marca própria de vinhos, não escondeu o otimismo em relação à colheita deste ano. Produz, anualmente, cerca de 40 toneladas de uvas e este ano tem um crescimento na produção na ordem dos 30%.

 “Está a correr bastante bem. Há entre 25 a 30% a mais. Já cortei cerca de 60% das minhas uvas e prevê-se que tenham muita qualidade”.

As vindimas deste ano em Trás-os-Montes revelam uma complexa mistura de desafios e oportunidades para os viticultores da região. Enquanto alguns enfrentam dificuldades com mão-de-obra e questões económicas, outros celebram um aumento na produção e na qualidade das uvas.

Informação CIR (Rádio Brigantia)