Um estudo apresentado pelo Conselho Económico e Social (CES), em parceria com a Universidade do Minho, conclui que cerca de 100 mil portugueses têm problemas de jogo com a raspadinha, essencialmente pessoas com menor instrução escolar, menores rendimentos e piores indicadores de saúde mental.
Teresa Guerra, de um quiosque em Macedo de Cavaleiros, refere que as raspadinhas mais caras são as que têm mais saída e o vício do jogo encontra-se, normalmente, aliado a dificuldades financeiras:
” Cada dia se vendem mais raspadinhas. Vende-se um pouco de todas, mas as mais caras têm mais saída, as de 5 e 10 euros. Os compradores vão dos 18 aos 70 anos, mais ou menos.
Infelizmente, algumas pessoas que têm o vício são as que vivem pior financeiramente.
Acho que as pessoas compram raspadinhas por terem vontade de ter dinheiro fácil, porque cada vez a vida está mais difícil e tentam a sorte. Mas algumas pessoas gastam muito, têm mesmo aquele vício.”
Micael Freire, funcionário de outro quiosque em Macedo, acredita que há quem jogue pelo vício, mas também há quem o faça devido a dificuldades financeiras:
” As raspadinhas têm saída. Acho que as raspadinhas que se vendem mais são as de 5 euros. Também depende dos dias, dos clientes e dos gostos. As pessoas que costumam comprar mais são as mais velhas e compram logo de manhã, ao começar o dia.
Acho que há pessoas que compram para entreter o vício, mas também há quem compre porque precisa e decidem tentar a sorte.”
Nestes dois quiosques da cidade de Macedo de Cavaleiros as raspadinhas mais vendidas são as de 5 euros e as pessoas com idade mais avançada são as que compram mais.
Este estudo aponta que acima dos 66 anos de idade, a probablidade de jogar é o dobro, em comparação a quem tem entre 18 e 36 anos.

