O filme “Alma Viva”, rodado na Junqueira, no concelho de Vimioso, foi o vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme, na edição de 2023 dos troféus atribuídos pela SIC e pela revista Caras.
Um enredo focado nas histórias da emigração e da aldeia onde a realizadora luso-francesa tem raízes, que já mereceu várias distinções a nível nacional e internacional, tendo inclusive sido candidato a uma nomeação de Melhor Filme Internacional aos Óscares de 2023.
Para Cristèle Alves Meira, o prémio enaltece a imagem dos emigrantes:
“Quando fiz este filme escrevi e realizei com um sonho, mas não pensando nos prémios. Acho que é mais saudável fixar na aventura coletiva que representa fazer um filme e o facto de ir até à concretização de um sonho. O filme mostra o orgulho da nossa terra e da história dos emigrantes porque este prémio torna positiva a imagem dos emigrantes.”
Esta foi a primeira longa-metragem da realizadora, que se iniciou nesse mundo por sentir a necessidade de contar as histórias agora presentes no “Alma Viva”:
” Também já tinha feito duas curtas-metragens na minha aldeia para preparar já este filme. Tive oportunidade de fazer curtas para aprender porque eu não fiz escola de cinema, aprendi fazendo filmes. Foi mesmo a história do “Alma viva” que me trouxe ao cinema porque antes fazia encenação do teatro. Mas eu queria mesmo contar essa história, essa relação de amor entre a neta e a avó, que tem um poder misterioso, a relação com a natureza, o misticismo e essas histórias de família daqueles que partiram e daqueles que ficaram, essa relação que temos também no verão quando voltamos às aldeias. “
E graças ao filme, Cristèle diz ter descoberto vários talentos:
” O filme permitiu descobrir talentos incríveis na zona de Trás-os-Montes, Macedo de Cavaleiros, Vimioso e centenas de pessoas participaram no casting. Permitiu revelar talentos e, para mim, isso relaciona-se com a magia das artes. Muitas pessoas dos filmes são pessoas que não são atores profissionais, como é o caso da Ester, que tiveram a coragem e curiosidade de ir para o cinema, confiaram em mim e eu neles e juntos fizemos uma obra sobre as histórias das nossas terras e muito mais.”
Ester Catalão, natural de Macedo de Cavaleiros, foi uma das atrizes principais do elenco deste filme. Para ela, esta experiência foi o realizar de um sonho:
“Tinha sonhos desde muito jovem, que pacientei porque na altura não tinha oportunidades. Com 65 anos subi o palco do Centro Cultural a cantar o fado, três meses depois entrei na Gala de Natal para fazer o teatro e agora apareceu o filme e isto foi por acréscimo. Para mim tem sido uma descoberta porque pensei que nunca chegaria ao cinema. Entrar no Coliseu de Lisboa pela passadeira vermelha foi uma coisa inesperada e valiosa.”
A realizadora ofereceu o Globo de Ouro à aldeia da Junqueira.
Cristèle Alves Meira revelou que já está a preparar a próxima longa- metragem, que será realizada entre Portugal e França.
Escrito por ONDA LIVRE


