A empresa Índice Crucial requereu à Direção-Geral de Energia e Geologia os direitos de prospeção e pesquisa de depósitos de diversos minerais metálicos, numa área denominada Zona da Vilariça, que abrange 19 freguesias dos concelhos de Macedo de Cavaleiros e Alfândega da Fé.
No concelho macedense são abrangidas áreas nas localidades de Macedo de Cavaleiros, Peredo, Vale da Porca, Lombo, Olmos, Castelãos, Vilar do Monte, Grijó, Cortiços, Bornes, Burga, Chacim e Vale Benfeito.
O pedido inside na procura de ouro, prata, chumbo, estanho, volfrâmio e outros minerais associados, numa área vasta dos dois concelhos, como explica o geólogo, Marcelo Pereira, da empresa Geologia e Geotecnia Consultores, que presta serviços à requerente:
“Esta requisição abrange um território alargado, as incidências dos trabalhos vão ser mais localizadas mas, inicialmente, como é habitual neste tipo de procedimento, as áreas são de maior dimensão e vão sendo reduzidas ao longo do tempo.
A determinação de uma área para prospeção pode acontecer de duas formas, sendo um delas feita com base em toda a informação já existente, como a cartografia geológica, as ocorrências minerais existentes no território e as formações geológicas existentes num determinado local, o que faz com que estas empresas, junto do Estado, façam a requisição de uma determinada área que abranja inicialmente mais do que uma ocorrência/formação ou estrutura geológica, que tenha potencial para albergar um depósito mineral.”
De acordo com o geólogo, a exploração de minerais traz alguns impactos ambienteis mas também pode ser um contributo para o combate à desertificação das regiões onde se insere:
“A prospeção e pesquisa é uma atividade muito inicial, em que a incidência no território é muito ligeira e facilmente compensada.
A atividade extrativa pode remeter-nos logo para pedreiras, que é talvez o exemplo mais simples, e traz, obviamente, alguns impactos ambientais negativos. A própria área de ocupação de superfície, a circulação de camiões, as poeiras, tudo isso são impactos que vão gerar ao território mais próximo da própria exploração.
Por outro lado, essas atividades, como todas as atividades industriais, também trazem os seus impactos positivos, como a empregabilidade, a fixação de pessoas, um conjunto de resultados positivos para a economia local, que muitas vezes auxiliam a fixação de pessoas e o combate à desertificação do interior.”
Neste momento está a ser realizado um ciclo de sessões de esclarecimento, obrigatórias por lei, junto das populações das freguesias abrangidas pelo pedido, que estão desde ontem a ser levadas a cabo pelo geólogo.
E caso sejam atribuídos os direitos de pesquisa e prospeção, terá de ser solicitada autorização aos proprietários dos terrenos:
“Uma das primeiras ações da empresa após ter a aquisição dos direitos mineiros é a identificação dos proprietários onde a empresa pretende fazer trabalhos no terreno.
O primeiro pedido de autorização que nos fazemos com os proprietários é para podermos entrar nas propriedades e ver os afloramentos rochosos ou recolher uma amostra de mão, o que não traz qualquer implicação direta aos próprios proprietários ou aos terrenos.
Obviamente que em fases de prospeção e pesquisa mais avançadas, que envolvam a entrada de máquinas, aí, individualmente, com cada proprietário, apelando sempre ao bom senso, há sempre uma autorização do proprietário, e se houver, em perspetiva, algum tipo de prejuízo para a própria pessoa, tudo isso é negociado.”
As sessões começaram pelas freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros.
Ontem aconteceram em Peredo e em Macedo, mas a adesão foi quase nula.
Hoje terão lugar em Vale da Porca e Lombo, depois nas aldeias de Olmos e Castelãos no dia 18.
Vilar do Monte, Grijó, Cortiços, Bornes e Burga terão uma só sessão destinada as populações das cinco aldeias, a acontecer no dia 19, na sede da Junta de Freguesia de Grijó.
No dia 23 acontece em Chacim e no dia 24 em Vale Benfeito.
Seguem-se depois as freguesias abrangidas do concelho de Alfândega da Fé.
Escrito por ONDA LIVRE

