Afinal a cirurgia-geral da urgência do hospital de Mirandela não encerrou apenas entre os dias 6 e 8 de outubro, como na altura foi decidido pela Unidade Local de Saúde do Nordeste.
Sabe-se agora, que aquela especialidade só voltou a estar disponível durante a manhã e tarde do dia 8 de outubro, fechando à noite e desde então está encerrada e assim vai manter-se, pelo menos até ao final deste mês.
Fonte hospitalar garantiu que a cirurgia-geral no serviço de urgência do hospital mirandelense está, desde as 20 horas do passado dia oito de outubro, sem qualquer especialista de serviço, e assim vai estar, pelo menos, até ao dia 31 de outubro, dado que é a data limite da validade das escalas elaboradas nos últimos dias.
Pelo menos durante esse período, os doentes que necessitem de ser vistos por um profissional de saúde daquela área, ou que tenham de ser submetidos a uma intervenção cirúrgica urgente, serão encaminhados para o serviço de urgência do Hospital de Bragança, que integra o território de abrangência da Unidade Local de Saúde do Nordeste.
Os três médicos especialistas de cirurgia-geral que têm vindo a prestar serviço na urgência da unidade hospitalar de Mirandela, terão recebido instruções da administração hospitalar para passarem a prestar serviço na urgência da capital de distrito por estar com constrangimentos na elaboração das escalas, em diversas valências, sendo uma delas a de cirurgia geral, como consequência da recusa da maioria dos médicos em realizar horas extra para lá das 150 horas que estão estipuladas na Lei.
Esta situação de encerramento do serviço em Mirandela já tinha acontecido, entre as oito da manhã do dia seis deste mês e a mesma hora do dia 8, mas foi retomado nesse dia. Só que, nessa mesma noite, às 20 horas, voltou a encerrar e assim se mantém.
Apesar de várias tentativas, a administração da ULSNE ainda não deu qualquer explicação oficial para esta medida, nem tão pouco esclarece se a situação será apenas provisória ou poderá vir a ser definitiva, tendo em conta que dois dos especialistas, agora alocados a Bragança, já têm uma idade avançada (68 anos) e se não houver novas entradas pode estar em causa, em definitivo, aquela valência, em Mirandela.
Entretanto, o executivo da câmara de Mirandela emitiu um comunicado sobre este assunto lembrando que entregou um memorando ao Ministro da Saúde, a quando da visita ao hospital de Mirandela, há cerca de um mês, “reivindicando um conjunto de medidas fundamentais e imprescindíveis para o fortalecimento da prestação de cuidados de saúde à população”, onde “demonstrou a disponibilidade para colaborar ativamente com o Estado Central na elaboração de medidas que possam facilitar o acolhimento e fixação de mais médicos no concelho”. O Município afirma agora que “opor-se-á, por todos os meios ao seu alcance, a qualquer intenção –que na verdade se julga não existir – de diminuição da capacidade dos Serviços de Saúde”, remata.
Também a Direção da Organização Regional de Bragança do PCP já reagiu em comunicado considerando que esta situação fica a dever-se ao “desinvestimento de décadas no SNS no distrito de Bragança que só se agravou com a criação da ULS Nordeste”, refere aquele partido que defende ser urgente “garantir o normal funcionamento do Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica do Hospital de Mirandela, porque se já é muita a distância entre inúmeros concelhos do distrito de Bragança e o serviço de urgência, não é aceitável que esta se agrave ainda mais”, bem como a reposição de especialidades e valências nos três Hospitais da ULS Nordeste, única forma de garantir plenamente o direito à saúde das populações”, conclui.
Pelo menos, até ao final de outubro, vai continuar encerrada a urgência de cirurgia-geral no hospital de Mirandela. Sobre este assunto, a ULS Nordeste ainda não deu qualquer explicação.
INFORMAÇÃO CIR (Terra Quente FM)

