Algumas variedades de cereja vão sofrer quebras na campanha deste ano

Este ano, algumas variedades de cereja vão sofrer uma quebra, que se estima entre os 20% e os 30%.
É a redução que se prevê nos pomares da aldeia de Lamas, no concelho de Macedo de Cavaleiros, que é responsável pela produção de cerca de 400 toneladas de cerejas na região, isto porque as condições climáticas não foram favoráveis na altura da floração, explica Paulo Pires, representante da Associação de Produtores de Cereja da freguesia:

“Há uma quebra prevista nas variedades mais temporãs. Nas variedades mais tardias, para já, com exceção da smith, que também tem percas significativas, apresentam quantidades ditas normais para o que seria expectável num ano normal e corrente.

É difícil prever neste momento mas talvez, na pior das hipóteses, poderemos estar a falar de uma quebra de 20/30%, não mais que isto.

Nós verificámos que no momento em que as árvores estavam em plena floração houve temperaturas que chegaram a 1ºc2ºc e até 0ºc, algumas flores queimaram-se, não conseguiram fazer o vingamento da cereja, depois houve também um período bastante continuado de chuva nesse mesmo período, com quase duas semanas ininterruptas de chuva.”

Paulo Pires espera que nos próximos dias a meteorologia seja mais favorável para o amadurecimento do fruto:

“Agora precisávamos de temperaturas amenas, melhores dos que as que se têm verificado, e não precisamos de um sol muito intenso. Nem que haja alguma chuva não há problema nenhum, pois até acaba por vir a dar um reforço àquilo que são as capacidades hídricas do solo.

Precisávamos que a temperatura subisse e, preferencialmente, que o sol começasse a abrir para que dentro de duas semanas as cerejas pudessem começar a amadurecer.

Se as temperaturas se mantiverem relativamente amenas, isso vai favorecer, sobretudo, o aumento do calibre, o que se pretendia neste momento.”

As plantações de pomares de cereja têm vindo a aumentar naquela freguesia, que se diferencia pela existência de um microclima e pela qualidade dos solos. As cerejas ali produzidas têm como principal destino o mercado nacional.
São cerca de 40 os grandes produtores da aldeia, continua é a haver alguma dificuldade em encontrar mão-de-obra suficiente para a colheita de cerejas, como refere o presidente da Junta de Freguesia, Leonardo Vila-Franca:

“Ainda não há mecanização, a colha é completamente manual.

Tem de se apostar, as pessoas têm de fazer dinheiro da agricultura, que não é uma cultura de subsistência mas é um acréscimo à economia.

A mão-de-obra é a grande dificuldade. Como em todo o país, temos a população bastante envelhecida.

Recorremos muito pouco a mão-de-obra estrangeira. Por enquanto ainda se consegue arranjar mão-de-obra na aldeia e nas vizinhas.

Há muita gente de fora a trabalhar lá nesta altura.”

 

Nos dias 25 e 26 de maio a localidade volta a promover uma feira dedicada à cereja, que de acordo com Leonardo Vila-Franca, tem tendência a ser melhor a cada edição:

 

“Teremos mais uma edição da feira da cereja em Lamas., que espero que corra bem.

Isto tudo é aliado à boa campanha de cereja na freguesia, que se vai traduzir numa feira cada vez melhor, com mais produção e cada vez mais apostas dos jovens na plantação de novos pomares.
Por regra temos mais ou menos os mesmos expositores, 20 no máximo. O espaço também não nos permite muito mais.

A cereja a ser afetada pela meteorologia que prejudicou a floração das variedades mais precoces, estimando-se uma quebra entre os 20% e os 30% na produção deste ano na aldeia de Lamas.

Escrito por ONDA LIVRE